Após apelos do Papa e conversas com Donald Trump, o governo russo afirmou agir contra a crise humanitária em Oleshky, na Ucrânia, articulando contatos internacionais por meio de sua comissária de Direitos Humanos. O Kremlin defendeu um cessar-fogo humanitário e informou que busca agendar uma reunião com o enviado americano, Steve Witkoff. Além disso, Moscou pediu a retomada urgente do diálogo com os EUA sobre armas nucleares e exigiu um representante ucraniano legítimo para negociar a paz.
O governo russo informou nesta terça-feira (20) que já está atuando para enfrentar a crise humanitária em Oleshky, cidade da região ucraniana de Kherson, ocupada pelas forças de Moscou desde fevereiro de 2022.
Segundo o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, durante conversas com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi acertado que a comissária russa para os Direitos Humanos, Yana Lantratova, entraria em contato com representantes internacionais para tratar da situação.
"O trabalho já está em andamento", afirmou Peskov, de acordo com informações divulgadas pela agência estatal russa Tass.
O porta-voz acrescentou que a situação em Oleshky foi abordada tanto em uma conversa com o papa Leão XIV quanto no diálogo mais recente entre Trump e o presidente russo, Vladimir Putin.
Nos últimos dias, o Pontífice falou por telefone com Putin e também com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, para discutir a crise humanitária causada pela guerra.
Durante a conversa com o líder russo, Leão XIV manifestou preocupação com as condições enfrentadas pela população de Oleshky e pediu um cessar-fogo que permita a chegada de ajuda humanitária essencial aos moradores.
O Papa também reiterou o compromisso da Santa Sé com a promoção do diálogo e da paz. Em seu contato com Zelensky, voltou a mencionar a gravidade da situação na cidade e reforçou a necessidade de uma trégua humanitária.
Em outra declaração, Peskov afirmou nesta terça-feira que o Kremlin espera organizar em breve um encontro entre Putin e Steve Witkoff, enviado dos Estados Unidos.
O porta-voz russo também defendeu que as negociações para encerrar o conflito sejam conduzidas por um representante legítimo do governo ucraniano que esteja disposto a assumir responsabilidades e adotar as medidas necessárias para alcançar uma solução para a guerra.
A declaração ocorreu depois de Trump afirmar que Zelensky seria "a pessoa errada" para participar das negociações.
Peskov também pediu a retomada urgente do diálogo entre Moscou e Washington sobre armas nucleares. Na avaliação do Kremlin, a situação atual é "extremamente perigosa" devido à falta de uma estrutura jurídica eficaz que regulamente a questão.
As declarações foram feitas um dia após Trump demonstrar disposição para se reunir com Putin e com o presidente chinês, Xi Jinping, em novembro, durante a cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC), na China. Segundo o presidente americano, o encontro poderia incluir discussões sobre desnuclearização e segurança internacional.