Presidente do Irã diz que povo tem direito de protestar, mas critica 'baderneiros'

Mais de 400 pessoas já foram mortas em manifestações, segundo ONG

11 jan 2026 - 13h24
(atualizado às 14h48)

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, se pronunciou neste domingo (11) sobre a onda de protestos que tomou conta do país há duas semanas e disse que os cidadãos têm "direito" de se manifestar, mas criticou "baderneiros" que tentam "perturbar a sociedade".

Ato em defesa de manifestantes no Irã em Londres, capital do Reino Unido
Ato em defesa de manifestantes no Irã em Londres, capital do Reino Unido
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

A revolta foi deflagrada no fim de 2025, motivada pela crise econômica e pela disparada da inflação, mas logo abarcou toda a insatisfação contra um regime teocrático que governa a nação persa desde a Revolução Islâmica de 1979.

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"O povo não deve permitir que baderneiros perturbem a sociedade. O povo precisa acreditar que nós queremos estabelecer a justiça", disse Pezeshkian à emissora estatal IRIB.

"Se as pessoas tiverem alguma preocupação, nós as ouviremos; é nosso dever ouvi-las e resolver seus problemas. No entanto nosso dever mais importante é não permitir que manifestantes violentos perturbem a sociedade", acrescentou o presidente, que reconheceu que "protestar é um direito da população".

Segundo a ONG Ativistas de Direitos Humanos no Irã (Hrai, na sigla em inglês), sediada nos Estados Unidos, pelo menos 466 civis foram mortos desde o início da revolta, além de 48 agentes das forças de ordem, porém dissidentes temem que o número real de vítimas seja ainda maior, em meio a um blecaute nos serviços de internet no país persa que já dura três dias.

Pezeshkian acusou os EUA e Israel de patrocinarem os protestos e citou a presença de "terroristas ligados a potências estrangeiras" nas manifestações, enquanto o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, alertou que um eventual bombardeio americano seria respondido com ataques contra o país judeu e bases militares de Washington na região.

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"Estamos prontos para reagir se for necessário", rebateu o chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa Israelenses (IDF), Eyal Zamir. Já o governo de Donald Trump tem demonstrado apoio aos manifestantes, e o próprio presidente ameaçou atacar novamente o Irã, já bombardeado por forças americanas em junho passado, caso mais civis sejam mortos durante os protestos.

O país é governado desde 1979 por um regime teocrático instaurado pela Revolução Islâmica, que derrubou o autoritário xá Mohammad Reza Pahlavi, que tinha apoio do Ocidente e cujo filho mais velho, Reza Pahlavi, tem incitado as manifestações com a esperança de assumir o poder.

"Não saiam das ruas. Meu coração está com vocês, sei que estarei em breve ao lado de vocês", declarou Pahlavi em publicação no X. "Saibam que vocês não estão sozinhos, e o presidente Trump, enquanto líder do mundo livre, observou atentamente a incrível coragem de vocês e disse que está pronto para ajudar", destacou o filho do antigo xá.

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