Apesar da pressão dos EUA para isolar o Irã, a China recusa aderir às sanções e mantém uma posição de força. Pequim se beneficia da redução militar americana no Pacífico e possui sólida resiliência econômica, com reservas de petróleo, compras da Rússia e o domínio sobre terras raras cruciais para a indústria de defesa dos EUA. Com visitas diplomáticas de alto nível agendadas entre os dois países, o governo chinês demonstra confiança contra as ameaças de Washington.
A guerra no Oriente Médio completa seis meses no dia 28 de agosto, com o Estreito de Ormuz bloqueado pelas forças iranianas, enquanto Washington persiste com um bloqueio naval ao Irã.
Washington incita outros governos, especialmente Pequim, a participar dos esforços para isolar a economia iraniana. O governo Trump defende as pressões econômicas contra o Irã como uma forma de provocar o colapso e a "queda do regime" iraniano sem retomar as operações militares e ameaça com "sanções sem precedentes" os países que não aderirem à iniciativa.
A China, principal parceira econômica do Irã, poderia aparentemente temer as ameaças americanas. No entanto, as autoridades chinesas parecem estar, na verdade, em uma posição de força.
Para Lin Jian, porta-voz da diplomacia chinesa, não há motivo para ceder às pressões dos Estados Unidos. Segundo ele, "as sanções e as pressões não permitirão resolver o problema. A China pede que todas as partes envolvidas adotem medidas responsáveis e resolvam a questão por vias políticas e diplomáticas."
China não tem interesse em sancionar o Irã
Pequim tem pouco interesse em sancionar o Irã e não parece preocupada com a continuidade da crise no Oriente Médio.
Em primeiro lugar, a China vê a retirada de equipamentos militares americanos nas imediações do país. Baterias de mísseis interceptadores THAAD deixaram temporariamente a Coreia do Sul. Além disso, os exercícios militares conjuntos entre forças sul-coreanas e americanas foram reduzidos. Com o recente deslocamento do porta-aviões USS George Washington para o Oriente Médio, a Marinha dos EUA passou a não ter nenhum porta-aviões no Pacífico. Normalmente, essa embarcação fica baseada no Japão.
Pequim também demonstra confiança em sua capacidade de resistir economicamente às ameaças americanas. A China acumulou reservas estratégicas de petróleo e aumentou suas importações de petróleo bruto da Rússia. Além disso, dispõe de minerais de terras raras. As reservas são um importante trunfo, pois muitas empresas americanas, especialmente no setor de defesa, dependem desse recurso.
Por fim, Xi Jinping é esperado nos Estados Unidos em setembro de 2026. A visita ocorre após a viagem de Donald Trump a Pequim em maio do mesmo ano. E nenhum dos dois países parece disposto a permitir que essa visita histórica seja comprometida.