Matéria sobre suposta exploração de brasileiros em sorveterias gera reação na Itália

Associação italiana protestou contra reportagem publicada na Alemanha

22 ago 2026 - 12h04
(atualizado às 12h16)
Resumo
Uma reportagem do jornal alemão Süddeutsche Zeitung sobre a suposta exploração de brasileiros em condições análogas à escravidão em sorveterias italianas na Alemanha gerou forte reação de entidades italianas. A Associação de Belluneses no Mundo repudiou as denúncias de jornadas de até 80 horas, afirmando que casos isolados não representam o setor histórico e que as empresas atuais operam sob rígida legalidade e fiscalização.

Uma reportagem sobre o suposto tratamento análogo à escravidão dispensado a migrantes brasileiros em sorveterias administradas por italianos na Alemanha provocou protestos da Associação de Belluneses no Mundo (ABM).

Associação italiana protestou contra reportagem publicada na Alemanha
Associação italiana protestou contra reportagem publicada na Alemanha
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

O artigo, publicado pelo jornal Süddeutsche Zeitung, relata condições de trabalho exploratórias, jornadas semanais de até 80 horas e salários inadequados. Muitos dos trabalhadores brasileiros citados possuem passaporte italiano e são oriundos de Urussanga, município historicamente ligado à emigração de moradores da região do Vêneto e de outras partes da Itália.

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Segundo Oscar De Bona, presidente da associação, "não se pode denegrir um setor histórico por causa de algumas poucas 'ovelhas negras'".

"Nossos sorveteiros, especialmente os das áreas de Belluno e Treviso, deram contribuições extraordinárias tanto para a Itália quanto para a Alemanha no pós-guerra e nos anos seguintes à tragédia de Vajont, por meio de décadas de imenso trabalho árduo, sacrifício e dedicação", declarou o dirigente.

"Quem desejar denunciar ou expor tais situações deve fazê-lo abertamente, fornecendo seu nome completo e identificando o estabelecimento específico envolvido, permitindo, assim, que as medidas legais cabíveis sejam tomadas pelos canais apropriados. É profundamente lamentável que uma publicação de tamanha relevância dê espaço a alegações vagas que acabam manchando a reputação de gerações de trabalhadores", acrescentou.

Já Riccardo Simonetti, líder da Famiglia Bellunese da Renânia do Norte-Vestfália, entidade de longa data vinculada à ABM, composta principalmente por empresários do setor, defendeu que, "embora jornadas de trabalho extenuantes possam ter ocorrido no passado, a situação atual é completamente diferente".

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"Nossos funcionários são todos contratados legalmente, e nossas empresas estão sujeitas a fiscalizações constantes que garantem a proteção de seus direitos", concluiu. .

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