EUA impõem tarifas de 50% sobre produtos canadenses após fracasso das negociações comerciais

22 ago 2026 - 12h16
Resumo
Os Estados Unidos impuseram tarifas de 50% sobre cerca de US$ 20 bilhões em produtos canadenses após o fracasso das negociações comerciais bilaterais. A medida afeta cerca de 5% das exportações do Canadá e eleva a tensão entre Washington e Ottawa. Em resposta, o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, suspendeu o diálogo, acusou o governo Trump de alterar termos na última hora e prometeu retaliar de forma proporcional, dificultando a renovação do acordo de livre comércio na região.

Os Estados Unidos impuseram tarifas ‌de 50% sobre alguns produtos canadenses neste sábado, depois que os dois aliados de longa data não conseguiram chegar a um acordo comercial, com cada lado acusando o outro de inviabilizar dias de negociações.

As tarifas, que entraram em vigor logo após a meia-noite (04h00 GMT) sobre cerca de US$20 bilhões em produtos canadenses — itens como tacos de madeira de hóquei no gelo, que quase não são mais usados —, ⁠estão longe de ser um divisor de águas econômico para o maior parceiro comercial dos EUA depois do ‌México. Isso representa pouco mais de 5% das exportações do Canadá para os EUA.

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Mas as novas tarifas marcam um aumento nas tensões entre o presidente Donald Trump e o primeiro-ministro Mark Carney ‌e provavelmente tornarão mais difíceis as negociações mais amplas para renovar ‌o acordo de livre comércio entre EUA, México e Canadá.

Carney afirmou que havia suspendido as ⁠negociações comerciais e que o Canadá retaliaria "dólar por dólar" contra as novas tarifas.

"Decidi suspender as negociações comerciais com os EUA e instruí os negociadores do Canadá a retornarem a Ottawa", disse Carney em comunicado.

"Eles (os negociadores) trabalharam arduamente, de boa-fé, para defender os interesses dos canadenses ao longo dessas negociações até o último minuto", disse ele. "No entanto, as mudanças de última hora nos termos propostos pelos EUA foram injustas, ‌antieconômicas e colocaram em dúvida a confiabilidade de qualquer acordo."

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Carney, a única pessoa a já ter chefiado ‌os bancos centrais de duas grandes ⁠economias, foi eleito no ⁠ano passado com a promessa de enfrentar Trump e continua amplamente popular. Pesquisas mostram que a maioria dos canadenses ⁠se opõe a fazer quaisquer concessões a Trump.

Horas antes, os ‌dois lados pareciam estar próximos ‌de um acordo que, segundo fontes, teria reduzido as tarifas sobre aço, alumínio e automóveis e, potencialmente, trazido bebidas alcoólicas americanas de volta às lojas de bebidas canadenses.

"Esta noite, o Canadá se recusou a finalizar o acordo comercial nos termos acordados no início desta semana", disse o ⁠representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, durante uma coletiva na Casa Branca.

"Esta é uma oportunidade perdida para o Canadá se associar aos Estados Unidos, que são a economia que mais cresce no G7", disse Greer.

Uma autoridade de alto escalão do governo Trump disse que a oferta dos EUA teria colocado o Canadá na melhor posição tarifária entre todos os ‌principais exportadores para os EUA, mas que o Canadá havia buscado concessões adicionais, especialmente em relação ao aço, ao alumínio, aos automóveis e à madeira macia.

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Não há novas negociações agendadas, já que os ⁠EUA estão implementando as novas tarifas, disse o funcionário.

No mês passado, Trump ameaçou impor uma série de tarifas sobre diversos produtos canadenses importados, incluindo vinho, móveis, laticínios, cimento, roupas, varas de pesca e equipamentos de hóquei.

As tarifas, que não se qualificam para tratamento preferencial sob o Acordo de Livre Comércio entre EUA, México e Canadá, expõem alguns setores já vulneráveis a possíveis danos graves que poderiam levar à perda de empregos e ao fechamento de empresas, segundo especialistas em comércio.

A decisão do governo dos EUA veio após três dias de negociações em Washington entre o ministro do Comércio do Canadá para as Relações com os EUA, Dominic LeBlanc, e Greer.

As novas tarifas se somam às já existentes nos EUA sobre aço, madeira serrada e automóveis, que sofreram forte impacto nos últimos 18 meses, embora o mal-estar tenha sido amplamente contido dentro desses setores.

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