Devido à crise no Oriente Médio, um cargueiro sul-coreano iniciou uma viagem de teste pela rota do Ártico rumo à Europa. A alternativa busca diversificar o abastecimento de energia, reduzindo pela metade o tempo de travessia e os custos de combustível. Apesar das vantagens econômicas, o trajeto enfrenta limitações sazonais, navios de menor porte, riscos de sanções devido a serviços russos e fortes preocupações ambientais sobre o impacto do tráfego marítimo no degelo polar.
As reservas de hidrocarbonetos dos países asiáticos foram gravemente afetadas pela guerra no Oriente Médio, iniciada há quase seis meses pela ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. Por isso, esses países consideram a rota pelo Ártico uma forma de diversificar suas opções de abastecimento.
O cargueiro Panstar Acro zarpou neste sábado do porto de Busan, na Coreia do Sul, às 21h30 locais (9h30 de Brasília), informou o Ministério dos Oceanos. O início da viagem acontece uma semana após um navio chinês ter iniciado o mesmo percurso para inaugurar uma rota marítima regular.
O vice-ministro dos Oceanos da Coreia do Sul, Nam Jae-hon, confirma que o itinerário marítimo pelo norte do planeta "está destinado a se tornar uma alternativa às rotas do Oriente Médio".
Viagem mais curta e mais barata
O navio de carga sul-coreano, operado pela empresa PanStar Line Dot Com, deve fazer escalas nos portos europeus de Felixstowe (Inglaterra), Roterdã (Países Baixos) e Gdansk (Polônia). O objetivo é determinar se o degelo neste período do ano permite a abertura de uma rota comercialmente viável.
Desde o início de 2026, o tráfego marítimo entre a Ásia e a Europa passou a utilizar a rota pelo Cabo da Boa Esperança, no extremo sul do continente africano.
A rota do Ártico reduz as distâncias entre 30% e 40% em comparação com a rota pelo Canal de Suez, no Egito, e quase pela metade em comparação com a rota pelo Cabo da Boa Esperança, segundo um estudo da seguradora de crédito Coface, publicado em abril. O itinerário pelo extremo norte teria custo menor, com consumo reduzido de combustível e tempo de travessia praticamente pela metade, para cerca de 20 dias.
Analistas esperam que a alternativa ofereça uma vantagem comercial significativa, principalmente para commodities como petróleo e gás natural liquefeito.
Limitações e impactos ambientais
A principal limitação da rota é que a viagem só poderia ser realizada de agosto a outubro, utilizando navios de porte mais modesto, com capacidade 10 vezes menor que a dos enormes cargueiros utilizados em grande parte do tráfego marítimo.
Por outro lado, especialistas alertam que os navios sul-coreanos que recorrerem à rota do Ártico podem infringir as sanções ocidentais contra a Rússia, já que receberiam serviços russos de navegação e meteorologia em troca de pagamentos, por mais modestos que sejam.
Ambientalistas temem que as travessias acelerem o degelo do Ártico, um oceano glacial já ameaçado pelas mudanças climáticas, razão pela qual muitas empresas ocidentais, como a francesa CMA CGM, a suíça MSC e a alemã Hapag-Lloyd, comprometeram-se a evitar essa rota.
Com AFP