O Irã condenou o plano dos EUA de aplicar duras sanções econômicas que também visam pressionar parceiros comerciais como a China, compradora de 80% do petróleo iraniano. Sem negociações de paz após meses de conflito com Washington e Israel, o transporte petrolífero no Estreito de Ormuz segue quase paralisado por ameaças de Teerã. Enquanto os EUA exigem um acordo adequado, o Irã classifica as sanções como ilegais perante o direito internacional e promete retaliações militares a novas ameaças.
O Irã condenou, neste sábado, os planos dos Estados Unidos de anunciar novas sanções que poderiam agravar ainda mais a situação econômica da República Islâmica e afetar seus principais parceiros comerciais, incluindo a China.
Após quase seis meses de guerra, desde que os EUA e Israel lançaram ataques aéreos contra o Irã em 28 de fevereiro, os lados não estão mais trocando tiros, mas também não mostram sinais de que pretendam retomar as negociações de paz.
O transporte de petróleo está praticamente paralisado no Estreito de Ormuz, com Teerã ameaçando atacar qualquer petroleiro não autorizado que tente transitar por essa importante via navegável, e a economia do Irã já está sob imensa pressão devido às sanções.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, deve dar uma coletiva de imprensa na segunda-feira, após ameaçar aplicar "as sanções mais duras da história" contra o Irã.
Bessent também instou a China a cooperar com Washington, já que o país compra mais de 80% do petróleo exportado pelo Irã, de acordo com dados de 2025 da empresa de análise Kpler. Pequim tem defendido a via diplomática.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, disse, neste sábado, que o iminente anúncio dos EUA sobre novas sanções econômicas era uma "afirmação de soberania extraterritorial sobre todos os Estados-membros independentes das Nações Unidas".
"Tais sanções secundárias não têm fundamento no direito internacional", disse ele em uma postagem no X.
O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas do Irã, major-general Ali Abdollahi, prometeu, na sexta-feira, que o Irã responderia militarmente às ameaças inimigas com "respostas esmagadoras, punitivas e devastadoras".
O presidente dos EUA, Donald Trump, que alertou sobre consequências econômicas contra qualquer país que forneça "qualquer tipo de apoio vital ao Irã", disse, na sexta-feira, que Washington estava observando "o que acontece" no conflito.
"Eles adorariam fechar um acordo, mas, na minha opinião, não estão prontos para fechar o acordo certo", disse Trump sobre o Irã.