Segundo estudo do Instituto de Berlim, a população alemã deve cair 2,2% até 2045, passando de 83,3 para 81,8 milhões, com a força de trabalho encolhendo 4,7% devido à aposentadoria dos baby boomers. A retração afetará mais de dois terços dos distritos, aprofundando contrastes entre o leste mais despovoado, metrópoles do oeste e a próspera Baviera, o que exigirá adaptações na gestão de serviços públicos.
Até 2045, população deve cair de 83,3 para 81,8 milhões, uma redução de 2,2%. População ativa deve diminuir ainda mais, com os "baby boomers" chegando à aposentadoria. Dados revelam contraste entre leste e oeste do país.Uma análise apresentada nesta terça-feira (06/10) pelo Instituto de Berlim para População e Desenvolvimento projeta que a população da Alemanha deve diminuir nas próximas duas décadas.
A população alemã cairá para cerca de 81,8 milhões até 2045, ante os atuais 83,3 milhões - ou seja, uma redução de 1,7 milhão de habitantes, ou 2,2% em relação ao final do ano passado. A população alemã em idade ativa deve encolher ainda mais, recuando 4,7% no mesmo período em todo o país, segundo o relatório intitulado Situação Demográfica da Nação.
No relatório anterior, de 2019, o instituto ainda mencionava uma "alta demográfica temporária", na qual a população crescia e deveria permanecer estável em um futuro próximo. Contudo, o cenário mudou, com mais de dois terços dos 400 distritos e cidades independentes perdendo população. Quase 200 regiões que ainda cresciam há poucos anos agora provavelmente encolherão, segundo o estudo.
No entanto, a questão decisiva já não é se a população da Alemanha cresce ou diminui, "mas sim onde isso ocorre", explicou a presidente do instituto, Catherina Hinz. As regiões evoluem de formas muito distintas, especialmente no leste do país, onde se situam 12 dos 20 distritos e cidades independentes com as avaliações gerais mais baixas. Em 2019 esse número era de apenas cinco.
Cidades como Leipzig, Dresden e Potsdam, no leste, deverão crescer, mas por outro lado, em municípios como Suhl e Sonneberg, no estado da Turíngia, a população deve cair até 30%. O estado do Sarre, no sudoeste alemão, também deve perder população, ao contrário das metrópoles de Frankfurt e Düsseldorf, no oeste.
Os dados revelam não apenas uma diferença entre o leste e o oeste do país, mas também um contraste entre cidades e áreas rurais.
População ativa impactada pelos "baby boomers"
Entre os 16 estados alemães, a Baviera se destaca cada vez mais no topo do ranking, com 18 dos 20 distritos e cidades independentes mais bem classificados localizados no estado do sul alemão, o que representa um aumento significativo em relação aos 12 registrados em 2019.
A razão para a diminuição do número de pessoas em idade ativa é a perspectiva de a geração do chamado baby boom entrar na aposentadoria nos próximos anos. Nos estados da Turíngia, Saxônia-Anhalt, Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental e Sarre, a redução da população em idade ativa chega a variar entre 12% e 18%. Os baby boomers são as pessoas nascidas entre 1946 e 1964, período de forte aumento da natalidade após a Segunda Guerra Mundial.
"A política não conseguirá deter o declínio populacional em muitas regiões, mas pode e deve geri-lo", explicou Manuel Slupina, da Fundação Wüstenrot, que elaborou o relatório em parceria com o Instituto de Berlim. Para isso, seriam necessárias "novas formas de prestação de serviços públicos essenciais", bem como soluções adequadas às realidades de cada região.
Esta é a quinta pesquisa sobre a situação demográfica realizada pelo Instituto de Berlim para População e Desenvolvimento, juntamente com a Fundação Wüstenrot. O sistema de avaliação de abrangência nacional incorpora 26 indicadores que cobrem demografia, economia, educação e condições sociais.
rc/md (AFP, dpa)
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