Após as recentes declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em relação ao Irã, o papa Leão XIV afirmou nesta terça-feira (7) que as ameaças contra o país são "inaceitáveis".
"Hoje, como todos sabemos, houve essa ameaça contra o povo do Irã. Isso é verdadeiramente inaceitável. Certamente há questões de direito internacional envolvidas, mas é muito mais do que isso. É uma questão moral para o bem de todos", declarou o pontífice americano.
O religioso, que está em Castel Gandolfo, também convidou "todos a pensarem nos corações de tantas pessoas inocentes que seriam vítimas dessa escalada da guerra" no Oriente Médio.
O líder da Igreja Católica acrescentou que o conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã precisa ser rejeitado, especialmente uma guerra que "muitos definem como injusta".
"Ela continua a escalar e não resolve nada, causando uma crise econômica global, uma crise energética e grande instabilidade. Devemos voltar à mesa de negociações para encontrar soluções", disse o Papa, acrescentando que ofensivas contra infraestruturas civis "são contrárias ao direito internacional".
O governo italiano, por sua vez, reiterou "sua firme e resoluta condenação da conduta desestabilizadora do regime de Teerã", citando ataques que ameaçam a segurança no Golfo e intimidações destinadas a comprometer a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz. Contudo, o país europeu também questionou as ameaças de Washington.
"É essencial distinguir claramente entre as responsabilidades de um regime e o destino de milhões de cidadãos comuns. A população civil iraniana não pode e não deve pagar o preço pelos atos de seus líderes. O governo italiano continua monitorando de perto a evolução da crise no Oriente Médio e o risco de uma escalada militar ainda maior que possa envolver todo o território iraniano", informou o Palazzo Chigi.
O vice-presidente do Irã, Mohammad Reza Aref, afirmou que o país está preparado para "todos os cenários" após a ameaça de Trump de aniquilar a civilização iraniana. O diplomata Amir Saeid Iravani, embaixador de Teerã na Organização das Nações Unidas (ONU), também criticou as declarações do mandatário americano.
"Trump recorreu mais uma vez a uma linguagem que não é apenas profundamente irresponsável, mas também profundamente alarmante", disse o iraniano.
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, apelou a todas as partes envolvidas no conflito no Oriente Médio para que respeitem um "cessar-fogo de duas semanas", a fim de permitir que a diplomacia avance em busca de uma solução. O chefe de governo também pediu às autoridades iranianas que mantenham o Estreito de Ormuz aberto durante esse período.
Karoline Leavitt, porta-voz da Casa Branca, disse à Axios que o presidente americano está ciente da proposta paquistanesa e que "uma resposta será dada em breve". .