"O Irã não ficará de braços cruzados diante de crimes de guerra tão graves", é o que afirmou Amir-Saeid Iravani, representante do Irã na ONU, em resposta à declaração de Trump de que "toda uma civilização morrerá" caso o Irã não aceite um acordo. A fala ocorreu durante reunião do Conselho de Segurança na tarde desta terça-feira, 7.
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Iravani apontou que as declarações do presidente dos Estados Unidos "constituem incitação a crimes de guerra e potencialmente genocídio". Nisso, ele aponta que o Irã "exercerá, sem hesitação, seu direito inerente de autodefesa e tomará medidas recíprocas imediatas e proporcionais".
A ameaça de Trump foi publicada mais cedo por ele em seu perfil no Truth Social, sua própria rede social, em meio a um ultimato feito ao Irã para firmar um acordo entre os países e terminar a guerra.
O Irã, no entanto, não sinalizou que irá ceder às exigências feitas por Trump, e o presidente iraniano afirmou nesta terça que 14 milhões de iranianos, incluindo ele próprio, se ofereceram como voluntários para sacrificar suas vidas na guerra.
Veja o que o presidente dos Estados Unidos escreveu em seu perfil na rede social Truth Social:
"Uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser trazida de volta. Eu não quero que isso aconteça, mas provavelmente acontecerá. No entanto, agora que temos uma Mudança de Regime Completa e Total, onde mentes diferentes, mais inteligentes e menos radicalizadas prevalecem, talvez algo revolucionariamente maravilhoso possa acontecer, QUEM SABE? Descobriremos esta noite, em um dos momentos mais importantes da longa e complexa história do mundo. 47 anos de extorsão, corrupção e morte finalmente chegarão ao fim. Deus abençoe as pessoas do Irã!", escreveu Trump.
Segundo o jornal estatal Tehran Times, o Irã suspendeu todos os canais de comunicação diplomáticos e indiretos com os Estados Unidos nesta terça. Além disso, o presidente do Irã afirmou que há 14 milhões de iranianos, incluindo ele próprio, que se ofereceram como voluntários para sacrificarem suas vidas na guerra.
Entenda o caso
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estabeleceu prazos, fez exigências e lançou ameaças ao longo das cinco semanas de guerra conjunta entre EUA e Israel contra o Irã. Mas raramente elas foram tão explícitas quanto agora.
O conflito teve início no dia 28 de fevereiro, quando os Estados Unidos bombardearam o Irã em ataque coordenado com Israel e matou o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei. Motivados pelo “direito e dever legítimo” da vingança, o Irã contra-atacou, e o conflito segue escalonando até então.
Segundo o republicano, a nova rodada de ataques contra o Irã será devastadora. Eles estão previstos para começarem nesta terça-feira, às 20h, pelo horário de Washington (21h de Brasília). E, em apenas quatro horas, todas as pontes e usinas de energia do país serão "dizimadas", conforme aponta. "Muito pouca coisa está fora dos limites", chegou a declarar Trump.
Em uma entrevista coletiva na segunda-feira, Trump disse a repórteres que pode eliminar o Irã "em uma noite" caso o país não chegue a um acordo antes do prazo estipulado por ele. O presidente americano afirmou também acreditar que líderes "razoáveis" do Irã estavam negociando de "boa-fé", mas que o resultado permanece incerto.
Segundo o presidente, o Irã precisa firmar um acordo "que seja aceitável para mim". Um dos componentes do acordo deve incluir "tráfego livre de petróleo" pelo estreito de Ormuz. À medida que as horas finais se aproximam, há poucos sinais de que o Irã esteja pronto para ceder ao ultimato de Trump.