ONG Transparência Internacional aponta retrocesso global no combate à corrupção, sobretudo nos EUA

Brasil melhorou sua posição no ranking, mas enfrenta problemas de infiltração do crime organizado no sistema político

10 fev 2026 - 06h41
(atualizado às 07h31)
Resumo
A ONG de combate à corrupção Transparência Internacional (TI) alerta nesta terça-feira, 10, para o agravamento da corrupção nas democracias do mundo inteiro, atribuindo aos Estados Unidos seu pior desempenho já medido.
A ONG de luta contra a corrupção Transparência Internacional divulga nesta terça-feira seu relatório anual e alerta para o agravamento da corrupção nas democracias do mundo inteiro, atribuindo aos Estados Unidos a pior pontuação já registrada.
A ONG de luta contra a corrupção Transparência Internacional divulga nesta terça-feira seu relatório anual e alerta para o agravamento da corrupção nas democracias do mundo inteiro, atribuindo aos Estados Unidos a pior pontuação já registrada.
Foto: AFP - JOHN MACDOUGALL / RFI

A ONG de combate à corrupção Transparência Internacional (TI) alerta nesta terça-feira, 10, para o agravamento da corrupção nas democracias do mundo inteiro, atribuindo aos Estados Unidos seu pior desempenho já medido. O Brasil melhorou sua posição no ranking, mas enfrenta problemas de infiltração do crime organizado no sistema político, segundo o relatório da organização.

No relatório anual apresentando o índice de percepção da corrupção de 2025, a ONG, com sede em Berlim, apresenta a média global no nível mais baixo em mais de dez anos.

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Nos Estados Unidos, a TI preocupa-se com "ações que visam as vozes independentes e põem em perigo a independência do Judiciário".

Desde seu retorno ao poder em janeiro de 2025, o presidente Donald Trump intensificou a pressão sobre uma ampla gama de instituições, desde universidades até o Federal Reserve (Fed), o banco central americano.

O presidente do Fed, Jerome Powell, está atualmente sob investigação do Ministério da Justiça após resistir às pressões do presidente em favor de uma redução das taxas de juros.

"A suspensão temporária e o relaxamento da aplicação da lei americana sobre práticas de corrupção no exterior traduzem uma tolerância em relação a práticas comerciais corrompidas", denunciou a ONG.

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Ela estima, além disso, que a redução drástica da ajuda externa pela administração Trump "fragilizou os esforços de combate à corrupção em escala global".

Brasil melhora posição

O índice da ONG atribui uma nota entre zero (muito corrompido) e 100 (muito íntegro), com base em dados provenientes de avaliações de especialistas e de dirigentes de empresas.

Os Estados Unidos caem de 65 pontos para 64. O relatório destaca que o "clima político se deteriorou há mais de uma década". Seu desempenho ainda estava em 76 pontos em 2015.

A nota média global se estabelece em 42, o nível mais baixo em mais de 10 anos.

O Brasil progrediu um ponto em relação ao ano anterior, mas continua com índice baixo, de 35 pontos, ou seja, na posição 107 entre 185 países. A ONG destaca que há anos a "corrupção tem permitido que o crime organizado se infiltre na política do país", prejudicando a vida dos cidadãos. 

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"A grande maioria dos países não consegue controlar a corrupção", indica o relatório, com 122 países dos 180 apresentando desempenhos inferiores a 50.

Entre as democracias, uma queda também é observada no Reino Unido e na França.

Os dois países permanecem bem classificados, mas "os riscos de corrupção aumentaram", devido ao enfraquecimento dos controles independentes e da falta de legislações e sanções eficazes, segundo a Transparência Internacional.

Dentro da União Europeia, os países com piores desempenhos são a Bulgária e a Hungria, com nota de 40.

O relatório afirma que o governo do primeiro-ministro nacionalista Viktor Orbán, da Hungria, no poder desde 2010 e em plena batalha por sua reeleição em abril, "enfraqueceu sistematicamente o Estado de direito, o espaço cívico e a integridade eleitoral há mais de 10 anos".

"Isso lhe permitiu desviar impunemente bilhões de euros, inclusive provenientes de fundos da União Europeia, e distribuí-los a seus apoiadores através de contratos públicos desonestos", acrescenta o relatório.

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A Transparência Internacional critica a UE por ter "ficado de braços cruzados" diante do desmantelamento das proteções democráticas em alguns Estados-membros, em vez de usar "os instrumentos fortes de que dispõe em matéria de Estado de direito".

Ucrânia avança

No seu relatório de 2025, a ONG menciona a condenação de Nicolas Sarkozy como "um raro exemplo europeu da aplicação do princípio de responsabilidade em alto nível por falhas na integridade política".

O ex-presidente francês foi condenado no final de setembro a cinco anos de prisão por associação criminosa, depois preso em outubro, antes de ser libertado em 10 de novembro. Sua prisão de três semanas foi um acontecimento inédito na história da França.

Pela oitava vez consecutiva, a Dinamarca é o país melhor classificado, com uma nota de 89.

A Ucrânia figura entre as evoluções mais positivas observadas pelo relatório, apesar de uma nota ainda baixa de 36.

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"No país que enfrenta a invasão russa há quatro anos, o governo do presidente Volodymyr Zelensky sofreu forte repúdio público após acusações de corrupção envolvendo pessoas próximas a ele."

Para a Transparência Internacional, "o fato de que esses escândalos e muitos outros sejam revelados ao público mostra que a nova arquitetura anticorrupção da Ucrânia está dando frutos".

O relatório elogia a "mobilização da sociedade civil" que forçou Zelensky a desistir de um projeto que limitava a independência dos organismos anticorrupção.

Com AFP

A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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