O que se sabe sobre o acordo de cessar-fogo entre o Irã e os Estados Unidos

Pouco mais de uma hora antes do fim do ultimato que ele próprio havia estabelecido, o presidente americano, Donald Trump, acabou recuando na terça-feira, 7 de abril. Enquanto ainda ameaçava aniquilar a República Islâmica, Trump anunciou ter aceitado suspender "o poder destrutivo" que os EUA pretendiam usar contra o Irã e decretou um cessar-fogo de duas semanas.

8 abr 2026 - 09h32

Vincent Souriau, correspondente da RFI em Washington

Um manifestante exibe um cartaz com o desenho da pomba da paz próximo à Casa Branca, em Washington, em 7 de abril de 2026.
Um manifestante exibe um cartaz com o desenho da pomba da paz próximo à Casa Branca, em Washington, em 7 de abril de 2026.
Foto: © Getty Images/AFP/Alex Wong / RFI

"Aceito suspender os bombardeios por um período de duas semanas", escreveu o presidente americano em sua rede social, dizendo responder a um pedido dos mediadores paquistaneses, que haviam solicitado um prazo adiciona.

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Donald Trump fala em um "cessar-fogo recíproco": durante essas duas semanas, os Estados Unidos interrompem seus bombardeios e o Irã se compromete a não mais atacar os países do Golfo. Teerã deve aceitar "a abertura total, imediata e segura" do Estreito de Ormuz, acrescenta o presidente americano.

Essa exigência foi aparentemente aceita pelas autoridades iranianas. O chefe da diplomacia iraniana, Abbas Araghchi, confirmou que seu país garantirá travessias seguras nessa passagem por onde transitavam, antes da guerra, 20% do petróleo bruto mundial. O Exército "vai monitorar" a "passagem diária limitada de navios", detalhou ele.

Um plano iraniano em dez pontos sobre a mesa

Donald Trump afirma ter recebido "uma proposta em dez pontos", que ele considera uma base de trabalho "viável" para avançar rumo a um acordo de paz, o qual indicaria que todos os objetivos militares americanos já teriam sido alcançados.

O acordo, no entanto, inclui vários pontos que podem gerar impasses. Teerã exigiria, entre outras coisas, "a manutenção do controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz, o reconhecimento do direito ao enriquecimento de urânio — uma menção ausente, porém, da versão em inglês enviada à ONU —, o levantamento das sanções primárias e secundárias", além da retirada das forças americanas da região.

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Donald Trump mantém suas acusações contra Teerã, afirmando que o Irã enriquece urânio com o objetivo de fabricar uma arma nuclear, alegações que não foram confirmadas pela ONU e são negadas pelas autoridades iranianas. O presidente americano garante, no entanto, que essa questão será "perfeitamente resolvida".

Por sua vez, Israel declarou apoiar o cessar-fogo, mas destacou que ele não inclui o Líbano, ao contrário do que havia sido anunciado pelo Paquistão. Seu Exército, portanto, continuará a guerra e a ocupação de parte do território libanês.

Negociações com o Paquistão

O acordo foi concluído no último minuto, após negociações com o Paquistão, que não apenas se impôs como um ator-chave, mas também conseguiu um cessar-fogo. Isso representa "um de seus maiores sucessos diplomáticos em anos", segundo o especialista em Ásia do Sul, Michael Kugelman.

O país se posicionou como um interlocutor capaz de dialogar tanto com Washington quanto com Teerã, com o apoio, em particular, da China. O primeiro-ministro Shehbaz Sharif deve receber já nesta sexta-feira discussões entre as delegações americana e iraniana em Islamabad, com o objetivo de chegar a um acordo. Para Islamabad, essa mediação já constitui um sucesso diplomático e vem sendo saudada por vários países.

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No mês passado, o ministro paquistanês das Relações Exteriores recebeu uma reunião com seus homólogos saudita, turco e egípcio para discutir a desescalada do conflito. Um fim duradouro da guerra reforçaria sua posição internacional num momento em que o país está envolvido em um conflito com o Afeganistão.

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