Vincent Souriau, correspondente da RFI em Washington
"Aceito suspender os bombardeios por um período de duas semanas", escreveu o presidente americano em sua rede social, dizendo responder a um pedido dos mediadores paquistaneses, que haviam solicitado um prazo adiciona.
Donald Trump fala em um "cessar-fogo recíproco": durante essas duas semanas, os Estados Unidos interrompem seus bombardeios e o Irã se compromete a não mais atacar os países do Golfo. Teerã deve aceitar "a abertura total, imediata e segura" do Estreito de Ormuz, acrescenta o presidente americano.
Essa exigência foi aparentemente aceita pelas autoridades iranianas. O chefe da diplomacia iraniana, Abbas Araghchi, confirmou que seu país garantirá travessias seguras nessa passagem por onde transitavam, antes da guerra, 20% do petróleo bruto mundial. O Exército "vai monitorar" a "passagem diária limitada de navios", detalhou ele.
Um plano iraniano em dez pontos sobre a mesa
Donald Trump afirma ter recebido "uma proposta em dez pontos", que ele considera uma base de trabalho "viável" para avançar rumo a um acordo de paz, o qual indicaria que todos os objetivos militares americanos já teriam sido alcançados.
O acordo, no entanto, inclui vários pontos que podem gerar impasses. Teerã exigiria, entre outras coisas, "a manutenção do controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz, o reconhecimento do direito ao enriquecimento de urânio — uma menção ausente, porém, da versão em inglês enviada à ONU —, o levantamento das sanções primárias e secundárias", além da retirada das forças americanas da região.
Donald Trump mantém suas acusações contra Teerã, afirmando que o Irã enriquece urânio com o objetivo de fabricar uma arma nuclear, alegações que não foram confirmadas pela ONU e são negadas pelas autoridades iranianas. O presidente americano garante, no entanto, que essa questão será "perfeitamente resolvida".
Por sua vez, Israel declarou apoiar o cessar-fogo, mas destacou que ele não inclui o Líbano, ao contrário do que havia sido anunciado pelo Paquistão. Seu Exército, portanto, continuará a guerra e a ocupação de parte do território libanês.
Negociações com o Paquistão
O acordo foi concluído no último minuto, após negociações com o Paquistão, que não apenas se impôs como um ator-chave, mas também conseguiu um cessar-fogo. Isso representa "um de seus maiores sucessos diplomáticos em anos", segundo o especialista em Ásia do Sul, Michael Kugelman.
O país se posicionou como um interlocutor capaz de dialogar tanto com Washington quanto com Teerã, com o apoio, em particular, da China. O primeiro-ministro Shehbaz Sharif deve receber já nesta sexta-feira discussões entre as delegações americana e iraniana em Islamabad, com o objetivo de chegar a um acordo. Para Islamabad, essa mediação já constitui um sucesso diplomático e vem sendo saudada por vários países.
No mês passado, o ministro paquistanês das Relações Exteriores recebeu uma reunião com seus homólogos saudita, turco e egípcio para discutir a desescalada do conflito. Um fim duradouro da guerra reforçaria sua posição internacional num momento em que o país está envolvido em um conflito com o Afeganistão.