Nova onda de alertas falsos de bomba atinge dezenas de voos em toda Europa

6 nov 2026 - 08h05
Resumo
Uma onda incomum de falsos alertas de bomba afetou dezenas de voos na Europa nesta quinta-feira, forçando pousos não programados, inspeções em solo e escoltas por caças militares em diversos países. Sem autoria confirmada, especialistas suspeitam de ataques híbridos para desestabilizar serviços essenciais e testar respostas de segurança. O incidente coincide com recentes ataques cibernéticos a redes de refrigeração de supermercados e bancos de sangue em território europeu.

Ameaças falsas de bomba interromperam dezenas de voos de passageiros por toda a Europa na quinta-feira, forçando ‌algumas aeronaves a fazerem pousos não programados e levando caças a escoltar ou interceptar outras, em uma escalada após uma onda inicial no início desta semana.

Essa onda altamente incomum de ameaças de bomba afetou quase 30 voos até o final da quinta-feira, depois que pelo menos sete voos e um navio de cruzeiro também receberam ameaças falsas na terça-feira.

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Nenhum governo revelou quem estaria por trás das ameaças, e nenhuma reivindicação de responsabilidade foi confirmada. Especialistas em segurança afirmaram que poderia se tratar de indivíduos agindo por motivos pessoais ou de imitadores, mas também que o caso apresentava as características de um "ataque híbrido" mais coordenado.

"Quando ⁠se trata de uma situação como essa ou mesmo de outros ataques de sabotagem, é realmente difícil provar que há um determinado país por trás disso. Mas isso ‌se encaixa no modus operandi", disse Eric Schouten, chefe do grupo de segurança aeronáutica Dyami.

Muitas autoridades europeias acusaram a Rússia de orquestrar sabotagens e ataques híbridos desde sua invasão da Ucrânia em 2022. Esses ataques costumam ser baratos de executar, facilmente negáveis e não devem provocar uma resposta armada.

A Dinamarca, a Polônia ‌e a Romênia, todas afetadas pelas interrupções de quinta-feira, já haviam acusado diretamente Moscou de estar ‌por trás de ataques híbridos, enquanto a Alemanha culpou a Rússia por um ataque ocorrido em agosto no aeroporto de Leipzig. O Reino Unido, ⁠que já culpou a Rússia no passado, associou o Irã a uma suposta conspiração contra uma base aérea dos EUA.

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Tanto a Rússia quanto o Irã negaram essas acusações.

Uma fonte de um aeroporto na Itália disse à Reuters que um email com o assunto "Relatório de ameaça" havia sido enviado a vários endereços de companhias aéreas, operadoras aeroportuárias e prestadores de serviços aeroportuários nos aeroportos de Fiumicino, em Roma, e de Malpensa, em Milão.

O email, que alegava ser de "combatentes do Male State", afirmava que dispositivos haviam sido colocados em voos provenientes de Helsinque e Dublin e que explodiriam em 60 minutos. "Hoje, o céu de vocês ficará vermelho", dizia a ‌mensagem.

A Reuters não conseguiu confirmar de forma independente quem havia enviado o email, e não havia indícios imediatos de quem estivesse por trás das outras ameaças em toda ‌a Europa.

Vladislav Pozdnyakov, um blogueiro russo que fundou ⁠em 2016 um movimento antifeminista chamado "Male State" — ⁠posteriormente proibido na Rússia —, afirmou que o grupo não existia mais e não estava envolvido de forma alguma.

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"Qualquer pessoa que atualmente esteja orquestrando provocações nos países da União Europeia ⁠sob a bandeira dessa 'marca' está agindo em seu próprio interesse — essencialmente, hasteando a bandeira de outra ‌pessoa", escreveu ele em seu popular canal no Telegram.

VOOS PARA ‌MILÃO, ROMA, PARIS, PRAGA E SÓFIA FORAM AFETADOS

Na França, o gabinete do primeiro-ministro Sébastien Lecornu informou que ele enviou caças para interceptar um voo da Aer Lingus de Dublin para Roma e escoltá-lo até uma base da Força Aérea em Évreux, depois que o piloto não cooperou com as autoridades como esperado.

O gabinete de Lecornu não apresentou nenhuma justificativa para o comportamento do piloto.

A Força Aérea da Bulgária informou que seus caças escoltaram ⁠três aviões de passageiros até o solo. Um voo da Ryanair de Londres para Sófia foi desviado para Plovdiv, a segunda maior cidade da Bulgária. A agência de inteligência da Romênia informou que um voo da KLM com destino a Tel Aviv, com escala em Bucareste, recebeu uma ameaça de bomba.

A polícia espanhola informou que três ameaças por email foram recebidas em um intervalo de 20 minutos, envolvendo um voo da Air Europa partindo de Madri com destino a Paris e dois voos da Iberia chegando de Roma e Milão. Várias aeronaves foram ‌paralisadas ou retornaram às suas posições de estacionamento em Madri, e os passageiros desembarcaram enquanto as aeronaves eram inspecionadas.

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Em Varsóvia, um voo da LOT com destino a Paris foi interrompido enquanto taxiava para a decolagem, e os passageiros foram transferidos para outra aeronave; já a polícia dinamarquesa informou que duas aeronaves ⁠foram revistadas no aeroporto de Copenhague.

Outros voos que receberam ameaças, incluindo voos da EasyJet, Finnair, LOT, Wizz Air, Ryanair e Air Serbia com destino a Praga, Sófia, Viena, Bruxelas, Bucareste, Roma e Milão, pousaram conforme programado, alguns após escolta militar.

Elena Pala, passageira de um voo da Wizz Air vindo de Milão, descreveu o que aconteceu quando o avião pousou em Bucareste, na Romênia.

"Primeiro, nos levaram para bem longe do terminal... bem no meio da pista. O avião estava cercado por caminhões de bombeiros, ambulâncias e unidades antiterroristas", disse ela à Digi TV.

"Perguntei o que estava acontecendo. Disseram que era uma situação de emergência. Foi tudo o que disseram", acrescentou Pala.

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Joji Waites, diretor de segurança de voo da Associação Britânica de Pilotos de Linhas Aéreas, disse que as companhias aéreas não agem diante de ameaças a menos que elas tenham sido consideradas plausíveis por avaliadores.

ATAQUES CIBERNÉTICOS A SUPERMERCADOS E BANCOS DE SANGUE

Eliran Almog, presidente-executivo da Cyviation, empresa especializada em segurança cibernética para a aviação, disse que os boatos podem servir tanto para interromper as operações quanto para observar como as companhias aéreas, os aeroportos e as autoridades reagem.

"Essas ameaças à aviação também estão ocorrendo no mesmo período em que se registram ataques cibernéticos a sistemas de refrigeração de supermercados em toda a Europa", disse Almog.

"Diferentes serviços essenciais estão sofrendo interrupções que acarretam custos econômicos e podem minar a confiança do público."

Nesta semana, hackers não identificados desligaram, pela segunda vez, os refrigeradores de supermercados em vários países europeus, afetando também bancos de sangue franceses.

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