Nepal e China retomam resgate após risco de nova inundação diminuir; número de mortos ultrapassa 500

28 ago 2026 - 09h08
(atualizado às 09h55)
Resumo
Nepal e China retomaram os resgates após o colapso de uma geleira no Himalaia gerar enchentes que mataram mais de 550 pessoas e deixaram cerca de mil desaparecidos, incluindo centenas de peregrinos. As buscas haviam sido suspensas pelo risco de transbordamento de um lago represado, agora considerado controlável. A tragédia destruiu pontes, estradas e usinas na rota entre Catmandu e o Tibete, bloqueou a ajuda humanitária e já afeta mais de 90 mil pessoas na região.

Nepal e China retomaram na sexta-feira ‌as operações de resgate que haviam sido suspensas brevemente na região do Himalaia atingida por enchentes, após se constatar que os riscos decorrentes do transbordamento de um lago eram controláveis, o que aliviou os temores de uma nova devastação.

A catastrófica inundação de quarta-feira, causada pelo colapso de uma geleira, ⁠matou 547 pessoas no Nepal e cinco no Tibete, na China, com cerca ‌de 1.000 desaparecidos nos dois países.

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Uma enorme torrente de rochas, gelo, lama e detritos desceu em cascata pelos sistemas fluviais das montanhas do Himalaia ‌após o colapso, levando também à formação de ‌um lago onde a água continuava a se acumular e subir.

Nesta ⁠sexta-feira, o reservatório do lago havia ultrapassado 2,5 milhões de metros cúbicos de água, acima dos 1,5 a 2 milhões de metros cúbicos estimados registrados na quinta, antes de transbordar para o rio Lhende Khola e, em seguida, para o Trishuli, segundo autoridades e testemunhas no Nepal.

O transbordamento provocou ‌pânico e alertas das autoridades no Nepal, levando à suspensão das operações de ‌resgate por cerca de três ⁠horas. O risco ⁠de rompimento do lago fez com que toda a equipe de resgate chinesa e ⁠os veículos também se retirassem para ‌o lado chinês e permanecessem ‌em prontidão em uma área segura, informou a emissora estatal CCTV.

Ambas as partes retomaram as operações de resgate após o abrandamento da ameaça.

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"Ao meio-dia, como o risco representado pelo lago represado a montante foi considerado ⁠controlável, as operações de resgate para o desastre do deslizamento de terra em Gyirong foram rapidamente retomadas e intensificadas", informou a emissora estatal chinesa CCTV.

O porta-voz do Exército do Nepal, Raja Ram Basnet, disse à Reuters que as operações de resgate haviam ‌sido temporariamente interrompidas após o alerta de enchente, mas constatou-se que a elevação do nível da água foi de apenas cerca de 0,6 m.

A enchente ⁠de quarta-feira varreu vilarejos e vales, destruindo usinas de energia, estradas e pontes ao longo de uma rota que liga Catmandu a Lhasa, no Tibete, e é popular entre trilheiros e peregrinos. Entre os desaparecidos, pelo menos 540 são estrangeiros, muitos deles peregrinos hindus da Índia que se dirigiam ao monte sagrado Kailash e ao lago Mansarovar, no Tibete.

Estima-se que mais de 90 mil pessoas tenham sido afetadas, informou a Cruz Vermelha, acrescentando que caminhões com suprimentos de emergência ficaram bloqueados depois que o lago de contenção transbordou.

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