O ministro da Defesa da Itália, Guido Crosetto, atribuiu os violentos protestos contra o custo de vida no país a uma "guerra híbrida", acusando nações estrangeiras de manipular jovens por meio de algoritmos e redes sociais como o TikTok. Diante dos confrontos e saques registrados em cidades como Milão e Bolonha, o governo da premiê Giorgia Meloni prepara um decreto de segurança que prevê o envio de 500 militares para reforço policial e a detenção preventiva de menores antes de manifestações.
O ministro da Defesa da Itália, Guido Crosetto, culpou uma "guerra híbrida" pelas desordens vistas durante protestos contra o aumento do custo de vida no país no último fim de semana.
Cidades como Milão e Bolonha foram palcos de confrontos entre manifestantes e policiais e de saques contra lojas e mercados, provocando indignação no governo de direita da premiê Giorgia Meloni, que enfrentará eleições legislativas no ano que vem.
"Os episódios ocorridos em Milão e em outras partes da Itália são profundamente diferentes daqueles vividos em outras épocas e são fruto daquilo que eu chamo de guerra híbrida", disse Crosetto à margem de um fórum de defesa em Roma.
Segundo o ministro, essa nova forma de conflito tem sido usada contra nações ocidentais com o auxílio de "instrumentos não convencionais", como "TikTok, redes sociais e YouTube".
"Estamos lutando em uma guerra híbrida que nenhum de nós lutou antes. Minha maior preocupação hoje é a capacidade que algumas nações têm, após terem estudado as mentes de nossos jovens com algoritmos, de saber melhor do que nós como influenciá-los", acrescentou.
Para Crosetto, esses atores são capazes de "instigar nas mentes das pessoas modos de pensar que derivam de uma manipulação muito sofisticada". "Se seis em cada 10 [jovens] compartilham esses valores, é porque nos últimos anos sofreram uma contraeducação ? não na família ou na escola ? que lhes transmitiu valores, ambições, uma visão de mundo e pontos de referência que estão em conflito com a sociedade em que vivemos e com as regras democráticas", afirmou.
Enquanto isso, o governo Meloni prepara um decreto para combater protestos violentos, que deve incluir o envio de 500 militares para reforçar a segurança em Milão e a detenção preventiva de menores de idade antes de manifestações por 24 horas.