A Casa de Marco Fabio Rufo, considerada a mais grandiosa de Pompeia, será reaberta ao público após mais de 40 anos de interdição. O restauro do complexo de quatro pavimentos, famoso por seus afrescos como o da Vênus de Pompeia, será financiado com 1,4 milhão de euros doados pelo empresário alemão Frank Hoefer. O projeto incluirá recursos digitais para enriquecer a experiência dos visitantes, com previsão de reabertura parcial de suas dependências em visitas guiadas antes do Natal de 2026.
Uma das mais impressionantes residências do sítio arqueológico de Pompeia, a Casa de Marco Fabio Rufo, voltará a receber visitantes após mais de quatro décadas interditada.
O restauro da moradia ? provavelmente a mais grandiosa da cidade soterrada pelo vulcão Vesúvio em 79 d.C. ? será financiado com 1,4 milhão de euros (R$ 7,9 milhões) doados por um empresário alemão, Frank Hoefer, dono da empresa PompeiAR.
O contrato de patrocínio foi assinado nesta semana pelo diretor do Parque Arqueológico de Pompeia, Gabriel Zuchtriegel, e pelo próprio Hoefer.
A casa foi erguida nas antigas muralhas de Pompeia e se destaca pela fachada com amplas janelas voltadas para o Golfo de Nápoles. Inspirada nos palácios imperiais de Roma, a residência tem quatro pavimentos interligados por um labirinto de corredores, escadas e passagens de serviço.
O proprietário da residência, possivelmente um magistrado da antiga cidade ou um liberto da casa imperial, possivelmente dispunha de recursos enormes que permitiram a construção de uma vila urbana sem paralelos em Pompeia, segundo os arqueólogos. No complexo, foram encontradas várias vítimas da erupção do Vesúvio, sendo que algumas ainda jazem nos locais onde morreram.
O restauro concentra-se nos afrescos da casa, entre eles a célebre Vênus de Pompeia, que fica em uma espécie de "capela" ritual.
Restauração se concentrará em afrescosA história do patrocínio começou quando Hoefer leu o livro "Pompeia: a cidade encantada", lançado por Zuchtriegel em 2023. Nascido no sul da Alemanha, o empresário visitou o sítio arqueológico pela primeira vez em 1974, aos 16 anos.
"Percebi imediatamente o fascínio da cidade antiga, que conta um modelo de vida social ao qual, em certos aspectos, somos muito próximos e, em outros, muito distantes. Quem visita as casas com olhar atento é recompensado por infinitos detalhes da vida cotidiana, da arte e do saber fazer antigo", disse Hoefer.
Segundo ele, restaurar a morada de Marco Fabio Rufo, inacessível desde 1980, e abri-la ao público é uma iniciativa "apaixonante". "Mas, para realizar os projetos do parque, são necessários outros apoiadores, e eu gostaria de ajudar a encontrá-los", acrescentou.
De acordo com Zuchtriegel, o próximo passo é um projeto de valorização do complexo, com apoio de tecnologia digital para que os visitantes compreendam a complexidade da casa. "Às vezes temos a impressão de estar em um palácio napolitano do século 19, mas é uma casa romana de 2 mil anos atrás", afirmou o diretor.
A expectativa é abrir parte da residência antes do Natal de 2026, com visitas em grupos acompanhados por guias.