Meloni aprova leis antitumulto mais rigorosas após episódios de violência em Milão

20 out 2026 - 15h55
Resumo
Após violentos tumultos e saques no norte da Itália, o governo de Giorgia Meloni aprovou duras medidas de segurança. O novo decreto pune a participação violenta em protestos com até cinco anos de prisão e multa de 20 mil euros, além de responsabilizar financeiramente os pais por atos cometidos por menores. A polícia poderá deter jovens suspeitos de perigo e 500 soldados reforçarão a segurança em Milão, enquanto o país também lida com protestos de caminhoneiros e a alta do custo de vida no sul.

A ‌Itália aprovou, nesta terça-feira, um pacote de medidas de segurança, incluindo um novo crime de participação violenta em manifestações, penas mais severas para os manifestantes violentos e responsabilidade financeira para os pais cujos filhos participem de atos de vandalismo e saques.

A medida foi tomada após distúrbios terem assolado cidades do norte da Itália no fim de semana, incluindo a capital financeira, Milão, ⁠onde grupos compostos principalmente por jovens causaram tumultos, quebrando vitrines, saqueando lojas e atacando a ‌polícia.

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"Não há nada de revolucionário em vandalizar e roubar. Vandalismo e roubo não são protesto, são criminalidade", afirmou a primeira-ministra, Giorgia Meloni, nas redes sociais, ao divulgar o decreto.

Como parte ‌do pacote, que entra em vigor imediatamente, qualquer pessoa que ‌participar de um grupo de pelo menos cinco pessoas e colocar em risco a ⁠segurança pública durante protestos pode pegar até cinco anos de prisão e uma multa máxima de 20.000 euros.

As penalidades aumentam se os rostos estiverem ocultos ou se houver feridos.

As autoridades têm o poder de ordenar a indenização imediata por quaisquer danos causados e, no caso de menores, seus pais serão responsabilizados.

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A polícia terá permissão para deter jovens com idades entre 14 ‌e 17 anos, mesmo que não tenham cometido um crime, desde que haja evidências de que representam ‌um perigo, ampliando os poderes ⁠que antes se aplicavam ⁠apenas a adultos.

Embora as autoridades temam novos distúrbios nas manifestações planejadas para sábado, o governo afirmou que ⁠mobilizará 500 soldados do Exército para atuarem ao lado ‌da polícia em Milão até ‌o final de 2026.

Os militares ajudarão a reforçar a segurança em locais-chave, intensificarão a vigilância em áreas sensíveis e aprimorarão o monitoramento em toda a região, informou o Ministério da Defesa em comunicado.

A CAMPANHA DE SEGURANÇA DE MELONI

Os distúrbios no norte da Itália ⁠ecoaram os tumultos na vizinha França, onde centenas de milhares de pessoas saíram às ruas no sábado, em alguns dos episódios de agitação mais violentos do país nos últimos anos.

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Meloni vem aprovando uma série contínua de medidas de repressão à insegurança desde que assumiu o cargo em 2022, medidas que, segundo críticos, pouco ‌contribuem para resolver as causas subjacentes da criminalidade e da desordem.

A população carcerária da Itália aumentou mais de 17% em quatro anos, ou quase 10 mil pessoas, segundo dados do ⁠governo.

O governo de Meloni também enfrenta pressão crescente de uma onda separada de protestos no sul da Itália, onde caminhoneiros indignados com a alta vertiginosa dos preços do diesel e o aumento do custo de vida montaram bloqueios nas estradas que estão prejudicando as cadeias de abastecimento.

Algumas fábricas de massas tiveram que interromper a produção, e grupos agrícolas alertaram que frutas e verduras podem acabar apodrecendo. O governo prometeu novos auxílios aos transportadores rodoviários após negociações com representantes do setor.

Manifestantes tanto no norte quanto no sul afirmam que o aumento dos preços está levando as famílias à pobreza — uma preocupação para Meloni diante das eleições nacionais previstas para 2027.

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"Sabemos o que significa procurar emprego, receber um salário insuficiente e não ver perspectivas para o futuro... mas as dificuldades nunca devem ser usadas como desculpa para a violência", disse a primeira-ministra nesta terça-feira.

(Edição de Gavin Jones e Crispian Balmer)

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