Ataques aéreos e disparos israelenses mataram ao menos quatro palestinos na Faixa de Gaza nesta terça-feira, entre eles uma autoridade de segurança do Hamas e sua esposa. As mortes evidenciam a fragilidade do cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos, marcado por acusações mútuas de violação entre Israel e o grupo militante. Desde o início da suposta trégua, que previa desarmamento e retirada de tropas, mais de 1.500 palestinos e quatro soldados israelenses já perderam a vida.
Ataques aéreos e disparos israelenses mataram pelo menos quatro palestinos, incluindo um casal e um jovem de 17 anos, em incidentes separados na Faixa de Gaza na terça-feira, informaram autoridades de saúde.
Médicos informaram que um ataque aéreo israelense matou Akram Yassin e sua esposa, Dina Abu Baker, em um apartamento na Cidade de Gaza.
O Exército israelense afirmou em um comunicado, horas depois, que Yassin era uma autoridade de alto escalão do aparato de segurança geral do Hamas na Faixa de Gaza. O comunicado indicou que o aparato tinha a função de proteger altos dirigentes do Hamas.
Em Khan Younis, no sul, equipes médicas informaram que um adolescente de 17 anos foi morto por tiros israelenses perto do bairro de Qizan Al-Najar, enquanto outro foi morto por tiros israelenses no subúrbio de Zeitoun, a leste da cidade de Gaza, elevando o número de mortos nesta terça-feira para pelo menos quatro.
As forças armadas israelenses não se pronunciaram imediatamente sobre nenhum desses dois incidentes.
Palestinos inspecionavam os estragos causados pelo ataque ao apartamento na Cidade de Gaza antes de se reunirem para o funeral do casal.
"Supostamente, estamos em um período de cessar-fogo, mas, honestamente, não estamos vendo nenhum cessar-fogo nem nada parecido. A guerra ainda continua, os assassinatos seguem ocorrendo e os bombardeios não pararam", disse Mahmoud Yassin, cujo irmão foi morto.
Israel, que acusa o grupo militante Hamas de estar se rearmando e lançando ataques em violação ao cessar-fogo, intensificou os ataques contra o grupo nas últimas semanas.
O Hamas negou estar tentando realizar ataques ou reconstruir seu arsenal e acusa Israel de minar o acordo de paz de Gaza.
Mediado pelos EUA há um ano, o cessar-fogo prevê uma futura reconstrução do território. Mas pouco progresso foi feito na implementação de um acordo para pôr fim ao conflito, que inclui cláusulas para que o Hamas se desarme e Israel retire suas tropas.
Autoridades de saúde de Gaza afirmaram que pelo menos 1.500 palestinos foram mortos por disparos israelenses desde o cessar-fogo. Israel afirma que quatro de seus soldados foram mortos por militantes em Gaza no mesmo período.