O presidente da França, Emmanuel Macron, fez um alerta sobre o futuro da União Europeia: "Ou o bloco se torna uma potência, ou será varrido". Segundo ele, uma das soluções seria a criação de um "débito comum europeu" para financiar o enfrentamento aos "novos desafios econômicos mundiais".
"Desde os relatórios [que apresentam soluções para a UE] escritos por Mario Draghi [em setembro de 2024] e por Enrico Letta [em abril de 2024], a China cresceu enormemente. Hoje possui um superávit de 1 trilhão de euros com o resto do mundo", disse Macron em entrevista a sete jornais europeus nesta terça-feira (10).
"A Europa precisa decidir se quer se tornar uma potência. Se continuarmos sendo um mercado aberto aos quatro ventos, seremos varridos para fora", frisou o líder francês. Para ele, "a Europa é o fator de ajuste para o resto do mundo".
"A questão é se somos capazes de nos tornarmos uma potência econômica, financeira, militar e até mesmo democrática", acrescentou.
Na entrevista, Macron propôs seu projeto de "débito comum europeu", que, de acordo com ele, seria uma saída para acelerar o crescimento do bloco. A medida prevê 1,2 trilhão de euros anuais destinados "a financiar os novos desafios econômicos globais".
Ele explicou que, para isso, "seria necessário mobilizar a poupança privada e criar uma união dos mercados de capitais".
O presidente da França também citou seus "quatro objetivos" para o avanço da UE, que passam pela simplificação do mercado único; pela diversificação comercial e redução dos riscos das dependências acumuladas ao longo dos anos; pelo protecionismo em setores como o siderúrgico; e pelo investimento em inovação.
"Estamos focados na simplificação e na diversificação. Muitos se esquecem da preferência europeia e da necessidade de investimento europeu", concluiu Macron, que também respondeu com "firmeza" a uma pergunta sobre a crise da UE com os Estados Unidos.
"Ao nos depararmos com um ataque específico, creio que não devemos nos acovardar nem tentar chegar a um acordo", disse ele, explicando que, após o bloco negociar, em meados de 2025, a questão tarifária imposta por seu homólogo americano, Donald Trump, "as ameaças não acabaram".
"Todos os dias chegam ameaças sobre o setor farmacêutico ou digital. Tentamos a técnica de 'buscar um acordo' durante meses, mas não funcionou", explicou Macron, citando como exemplo a questão energética.
"Substituímos nossa dependência da [energia da] Rússia por uma dependência dos EUA, que fornecem 60% do nosso gás natural liquefeito", falou. .