O chanceler russo, Sergei Lavrov, criticou a presença da Polônia na reunião do G20, afirmando que o convite unilateral dos EUA violou a diplomacia multilateral e o consenso do bloco. Lavrov alegou que Varsóvia não se qualifica pelo porte econômico e não agrega às discussões. Em resposta ao apoio americano para se tornar membro permanente do grupo, o ministro polonês, Radoslaw Sikorski, defendeu a inclusão do país e aproveitou o encontro para pedir um cessar-fogo para escoar grãos pelo Mar Negro.
O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, teria afirmado nesta sexta-feira que convidar a Polônia para participar das reuniões do G20 seria contraproducente e iria contra a prática diplomática de buscar o consenso nessas reuniões.
O ministro das Relações Exteriores da Polônia, Radoslaw Sikorski, disse a jornalistas em Atlanta que os Estados Unidos haviam apresentado uma moção para tornar a Polônia membro permanente do G20 e que Varsóvia estava trabalhando por isso.
"É claro que viola os princípios da diplomacia, especialmente da diplomacia multilateral, quando membros de associações como o G20 atuam com base no consenso", disse Lavrov a jornalistas à margem de uma reunião de ministros das Relações Exteriores do G20 em Atlanta, segundo agências de notícias russas.
"Isso diz respeito à agenda e ao envio de convites a novos participantes", disse ele.
A Polônia, disse Lavrov, "não acrescenta nada" à reunião.
Segundo ele, Varsóvia não se qualificou para participar da reunião, porque sua economia não é grande o suficiente.
Além disso, considerou errônea a descrição do país como representante da "Europa Oriental", já que há representação suficiente da Otan e da União Europeia.
Lavrov afirmou que a Rússia não sofreu nenhuma pressão sobre o convite à Polônia para a reunião em Atlanta.
"Os norte-americanos simplesmente convidaram o ministro polonês; ele veio e sentou-se na cadeira que lhe foi reservada", disse Lavrov, segundo a reportagem.
Em comentários a jornalistas, Sikorski também pediu um rápido cessar-fogo no Mar Negro que permita a passagem segura de carregamentos de grãos tanto da Ucrânia quanto da Rússia.