Na abertura da reunião do G20 em Atlanta, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, pediu cooperação global contra crises econômicas e geopolíticas. O encontro ocorre sob tensões pela presença do chanceler russo Sergey Lavrov, o que motivou o cancelamento da tradicional foto oficial após ameaça de boicote europeu. O governo Trump defendeu o diálogo com Moscou para tratar da guerra na Ucrânia e prepara o terreno para a cúpula de líderes em Miami, prevista para dezembro.
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou nesta sexta-feira (30) que o mundo atravessa um momento crítico e pediu aos países do G20 que fortaleçam a cooperação para enfrentar ameaças econômicas e geopolíticas.
"Estamos em um momento crítico ? eu diria, um momento de escolha ? não apenas para o meu próprio país, mas, francamente, para o mundo inteiro", declarou Rubio na abertura da reunião de ministros das Relações Exteriores do G20, em Atlanta.
Segundo o chefe da diplomacia americana, os países precisam trabalhar juntos para enfrentar ameaças, fortalecer a resiliência econômica e proteger seus mercados e economias.
"Estamos diante de uma série de crises econômicas e geopolíticas interconectadas, muitas das quais representam sérias ameaças aos pilares fundamentais da ordem econômica global, ao mesmo tempo em que criam novas perturbações e tensões no fornecimento global de energia e alimentos", afirmou.
Rubio também destacou a importância de transformar interesses comuns em medidas concretas. "Como diplomatas e líderes políticos, temos um papel vital a desempenhar. É nosso dever colaborar, coordenar respostas a crises emergentes e proteger nossos interesses comuns", disse.
A reunião em Atlanta, organizada sob a presidência americana do G20, ocorre em meio a divergências entre os países sobre conflitos internacionais, especialmente a guerra na Ucrânia.
Inclusive, a chegada do ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, ao território norte-americano provocou desconforto entre representantes europeus. Como forma de evitar uma imagem de normalidade nas relações com Moscou, alguns países ameaçaram boicotar a tradicional fotografia oficial dos participantes.
Diante da possibilidade de novas tensões, Rubio decidiu cancelar a "foto de família".
Enquanto isso, o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, afirmou que "não existe normalidade com a Rússia" e defendeu que as divergências sejam tratadas sem sinais de falso otimismo.
O chefe da diplomacia polonesa, Radoslaw Sikorski, também considerou correta a decisão de cancelar a fotografia.
Os Estados Unidos defenderam a participação russa no encontro sob o argumento de que qualquer iniciativa para encerrar a guerra na Ucrânia exige diálogo com os dois lados do conflito.
Kiev, no entanto, não foi convidada para a reunião, uma vez que Washington restringiu a participação aos países-membros do G20.
Entre os assuntos previstos nas discussões estão a guerra na Ucrânia, a situação no Irã e a liberdade de navegação em rotas estratégicas, como os estreitos de Ormuz e as regiões do Mar Vermelho, do Mar Negro e do Mar do Sul da China.
A reunião ministerial também prepara o caminho para a cúpula de líderes do G20, marcada para 14 e 15 de dezembro, em Miami. O presidente americano, Donald Trump, convidou o líder russo, Vladimir Putin, para o encontro, mas o Kremlin ainda não confirmou sua participação.
À margem da reunião em Atlanta, Lavrov afirmou ter tido uma conversa "agradável" com Rubio. De acordo com o ministro russo, os dois trataram brevemente das relações bilaterais e da cooperação em fóruns multilaterais, como as Nações Unidas, o G20 e a APEC.