A Itália recorda nesta terça-feira (10) o Massacre das Foibe, um dos episódios mais trágicos relacionados ao período subsequente à Segunda Guerra Mundial no país. Para isso, o presidente Sergio Mattarella e a primeira-ministra Giorgia Meloni participaram de uma cerimônia na Câmara dos Deputados.
Nas redes sociais, Meloni publicou uma mensagem sobre esse "capítulo doloroso" da história italiana, "vítima durante décadas de uma conspiração imperdoável de silêncio, esquecimento e indiferença".
"Recordamos os mártires das foibe e a tragédia do êxodo juliano-dálmata. Centenas de milhares de italianos que escolheram abandonar tudo a renunciar à sua identidade", escreveu a premiê, destacando que "lembrar não é rancor, mas justiça".
"A Itália jamais permitirá que essa história seja distorcida, negada ou apagada, porque ela não pertence a uma única região fronteiriça ou ao que restou do povo juliano-dálmata: é uma história que pertence à Itália como um todo", concluiu Meloni.
Já Mattarella teve uma declaração sobre a data citada por Luigi Brugnaro, prefeito de Veneza.
Como disse o presidente, "foi uma perseguição que se tratou de uma verdadeira e própria limpeza étnica", destacou Brugnaro.
"Por isso, hoje, não basta relembrar, é preciso controlar cada negacionismo e reducionismo, cada ideologia que possa incitar a violência", frisou o prefeito veneziano.
O Massacre das Foibe ocorreu em 1947, dois anos após o fim da Segunda Guerra, tendo matado entre 5 mil e 17 mil italianos.
Neste período, a ex-Iugoslávia queria anexar a região italiana do Friuli-Venezia Giulia, no extremo nordeste do país, e todos aqueles que se opunham eram assassinados pelo Exército do marechal Josip Broz Tito, o então premiê da nação eslava.
Os opositores eram jogados em buracos formados naturalmente pela ação da água no solo, que eram chamados "foibe" pelos moradores da região, daí o nome do massacre. Inicialmente, as vítimas eram fascistas e anticomunistas, no entanto, não demorou muito para que civis comuns italianos também fossem executados. Além das mortes, milhares de pessoas que não se adaptavam ao novo regime, principalmente de Trieste, da Dalmácia e da Ístria, as últimas duas atualmente na Croácia, foram deportadas pelas Forças Armadas de Tito, o que durou até a década de 1960.
A tragédia foi por muitos anos esquecida e ignorada e continua sendo tratada por muitos como uma história fantasiosa e que não aconteceu.
No entanto, a partir de 2004 foi criado o Dia da Lembrança, quando as vítimas do massacre são recordadas na Itália, em todo 10 de fevereiro.