O partido ultranacionalista italiano Liga propôs barrar a concessão de cidadania a jovens estrangeiros condenados por saques ou agressões a policiais ao atingirem a maioridade. A emenda surge após violentos protestos contra o custo de vida em Milão, que deixaram 14 agentes feridos e dezenas de detidos, muitos deles menores. A oposição criticou o projeto, acusando o governo de criar bodes expiatórios, enquanto organizadores prometem manter as mobilizações semanais até a queda da gestão Meloni.
O partido ultranacionalista Liga, liderado pelo ministro da Infraestrutura e vice-premiê da Itália, Matteo Salvini, apresentou um projeto para impedir que menores estrangeiros condenados por crimes contra as forças de ordem ou saques obtenham a cidadania italiana ao completar a maioridade.
A medida chega na esteira dos confrontos entre manifestantes e policiais durante protestos contra a alta do custo de vida no país, no último fim de semana. Apenas em Milão, palco dos embates mais violentos, pelo menos 14 agentes ficaram feridos, e 32 pessoas foram presas, incluindo 23 menores de idade e 13 estrangeiros.
A proposta foi apresentada como uma emenda ao projeto de lei da Liga com novas restrições para a concessão de cidadania italiana a estrangeiros nascidos no país, que chegou ao plenário da Câmara dos Deputados nesta segunda-feira (19).
"Após os episódios dos últimos dias, a Liga apresentou uma emenda ao projeto de lei sobre cidadania, um pacote 'antissaques'. Ela prevê que o estrangeiro nascido na Itália, se for condenado por crimes contra as forças de polícia ou por saques, não possa obter a cidadania italiana ao completar 18 anos", disse o deputado Igor Iezzi.
O projeto de lei já previa que a cidadania não fosse concedida a pessoas condenadas por crimes ligados ao tráfico de drogas ou contra a segurança nacional, além de ampliar exigências relacionadas ao conhecimento do idioma italiano.
Na Itália, estrangeiros nascidos no país só podem solicitar a cidadania ao completar 18 anos, mesmo que tenham vivido apenas em solo italiano e estejam plenamente integrados.
A deputada de oposição Vittoria Baldino, do partido populista Movimento 5 Estrelas (M5S), acusou o governo de Giorgia Meloni de "hipocrisia" para encobrir a "falta de resultados" na questão da segurança.
"Ele passa a mensagem de que é sempre culpa de alguém, de um inimigo a ser encontrado, do estrangeiro que é uma ameaça enquanto tal", declarou a parlamentar, acrescentando que o partido acredita no "poder da integração escolar" e propõe o "jus soli" ("direito de solo") para a cidadania a estrangeiros.
As manifestações ocorreram na esteira do levante estudantil na França e reivindicaram mais investimentos em educação, menos recursos para compra de armamentos e ações para combater a disparada do custo de vida.
Um dos organizadores dos protestos na Itália, o Movimento 17 de outubro, prometeu manter "mobilização permanente todos os sábados, até a queda do governo". "Os violentos são aqueles que nos negaram o futuro, mas agora vamos tomar esse futuro nas mãos", disse o grupo em sua página no Instagram.
A conta também divulgou um vídeo no qual jovens que saquearam lojas distribuem produtos roubados a moradores de rua, com a legenda "Expropriação proletária em Milão".