O vice-premiê da Itália e ministro das Relações Exteriores, Antonio Tajani, convocou nesta terça-feira (13) o embaixador do Irã em Roma, Mohammad Reza Saburi. A medida se dá em meio à repressão do governo persa contra manifestantes, resultando em um elevado número de mortos no país.
"As mulheres e os homens do Irã estão lutando nas ruas, pagando um preço altíssimo com sangue, sofrimento, prisão e, provavelmente, tortura. Isso é totalmente inaceitável", declarou Tajani, ao explicar o motivo pelo qual convocou o diplomata iraniano.
"Diálogo não significa aceitar passivamente o espetáculo de um regime reprimindo violentamente seus próprios cidadãos", acrescentou.
A ação do chanceler italiano não é isolada na Europa: seus homólogos em Portugal, Espanha, França, Alemanha e Reino Unido também convocaram os embaixadores de Teerã em exercício em seus países. Todos os governos condenaram a "brutal repressão do regime iraniano contra a própria população".
"Não deve haver impunidade para aqueles que apontam armas para manifestantes pacíficos", afirmou o ministro das Relações Exteriores francês, Jean-Noël Barrot.
Nesta terça, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou que a União Europeia deverá propor "em breve" novas sanções contra o Irã após a onda de violência contra os manifestantes no país.
"O crescente número de vítimas no Irã é assustador. Condeno inequivocamente o uso excessivo da força e as contínuas restrições à liberdade", declarou Von der Leyen.
A revolta popular teve início no fim de 2025, impulsionada pela crise econômica e pela alta da inflação, e rapidamente passou a expressar a insatisfação generalizada com o sistema teocrático que governa o Irã desde a Revolução Islâmica de 1979.
Segundo um canal de TV de oposição sediado em Londres, no Reino Unido, a repressão contra as manifestações populares já provocou cerca de 12 mil mortes.