Para conter protestos e o desabastecimento no sul da Itália, o governo aprovou um decreto com mais de 190 milhões de euros em auxílios e créditos fiscais para caminhoneiros, agricultores e pescadores afetados pela alta dos combustíveis. O pacote prevê a suspensão do leasing de veículos e compensações financeiras. Paralelamente, a premiê Giorgia Meloni prometeu rigor contra manifestantes violentos, acionando a lei que criminaliza o bloqueio de rodovias para restaurar o fluxo logístico no país.
O Conselho de Ministros da Itália aprovou nesta quinta-feira (22) um decreto-lei com medidas de apoio a caminhoneiros, agricultores e pescadores atingidos pela alta dos preços dos combustíveis, em meio a uma onda de protestos que bloqueou estradas e provocou desabastecimento generalizado no sul do país.
O pacote inclui créditos fiscais, reembolsos e suspensão de leasing, enquanto a premiê Giorgia Meloni prometeu endurecer o tom contra caminhoneiros que mantiverem rodovias bloqueadas.
"Em algumas áreas, poucos indivíduos continuam a bloquear as estradas e não param por aí. Ameaçam quem quer trabalhar e cortam os pneus dos caminhões dos colegas. Isso não é um protesto; é intimidação, e não vamos tolerar", declarou a primeira-ministra em um vídeo divulgado após a reunião do governo.
"Não aceitamos ser chantageados por quem usa a violência como meio de pressão", acrescentou.
Meloni disse ter pedido ao ministro do Interior, Matteo Piantedosi, que garanta a livre circulação de mercadorias e o abastecimento. Segundo ela, o governo usará "todas as ferramentas previstas em lei, incluindo as disposições do decreto de segurança que tornaram o bloqueio de estradas um crime".
O texto aprovado nesta quinta destina mais de 120 milhões de euros (R$ 676 milhões) em créditos fiscais para compensar o encarecimento do diesel, cujo preço aumentou quase 40% em um ano, e prevê a suspensão por sete meses do leasing de veículos para pequenas e médias empresas.
Para os agricultores, serão destinados 60 milhões (R$ 338 milhões) para reembolsar parte dos custos extras com combustível arcados pelas companhias do setor entre 1º de junho e 15 de outubro. Segundo o ministro da Agricultura, Francesco Lollobrigida, os recursos cobrem a compra de 121 milhões de litros de diesel, com contribuição de até 45 centavos por litro.
Já para os pescadores, estão previstos pagamentos a fundo perdido totalizando 10 milhões de euros (R$ 56 milhões), o equivalente a 10% das despesas das empresas do setor com combustível entre 1º de junho e 15 de outubro.
Os protestos de caminhoneiros, agricultores e pescadores começaram na semana passada e se espalharam sobretudo pelo sul da Itália, com bloqueios de estradas que afetaram o abastecimento de produtos frescos em regiões como Basilicata, Calábria, Campânia, Puglia e Sicília.
O governo espera que as medidas aprovadas nesta quinta-feira esvaziem os atos e restaurem a normalidade logística no país.