Israel intensifica ofensiva no sul do Líbano e amplia operação terrestre apesar de cessar‑fogo

Israel lançou nesta terça-feira (26) uma ampla ofensiva no Líbano, com mais de 100 bombardeios contra alvos do Hezbollah, principalmente no sul do país. Ataques atingiram a cidade de Nabatieh após ordens de evacuação do Exército israelense, apesar do cessar-fogo em vigor desde 17 de abril. Ao mesmo tempo, as forças israelenses anunciaram a ampliação das operações terrestres além da chamada "linha amarela", uma zona de segurança estabelecida por Israel no sul do território libanês.

26 mai 2026 - 15h45

A escalada ocorre um dia após o primeiro‑ministro israelense, Benjamin Netanyahu, prometer intensificar a ofensiva contra o movimento pró‑iraniano. "Vamos aumentar os ataques, ampliar o seu poder e esmagar o Hezbollah", declarou o premiê na noite de segunda‑feira (25).

Uma fotografia tirada na região de Tiro, no sul do Líbano, mostra fumaça subindo do local dos ataques aéreos israelenses que atingiram a vila de Rmadiyeh, no distrito de Tiro, em 26 de maio de 2026.
Uma fotografia tirada na região de Tiro, no sul do Líbano, mostra fumaça subindo do local dos ataques aéreos israelenses que atingiram a vila de Rmadiyeh, no distrito de Tiro, em 26 de maio de 2026.
Foto: AFP - KAWNAT HAJU / RFI

Em Nabatieh, um correspondente da AFP relatou várias explosões após o aviso de evacuação e observou colunas de fumaça se elevando em diferentes pontos da cidade. O porta‑voz do Exército israelense para o público de língua árabe, Avichay Adraee, pediu que os moradores evacuem imediatamente suas casas e se desloquem para o norte do rio Zahrani.

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Grande parte da população já havia deixado Nabatieh desde o início da guerra entre Israel e o Hezbollah, em 2 de março. Ainda assim, a cidade segue sob ataques frequentes, apesar da trégua mediada pelos Estados Unidos.

120 socorristas mortos até agora

Outros bombardeios deixaram vítimas no sul do Líbano. Um ataque na localidade de Srifa matou um socorrista e feriu outros dois, ligados ao movimento Amal, aliado do Hezbollah, segundo o Ministério da Saúde libanês.

O número de trabalhadores de emergência mortos no conflito chegou a 120, de acordo com as autoridades.

Diversas cidades do sul, especialmente na região de Tiro, também foram atingidas, segundo a agência oficial de notícias libanesa. Na véspera, ordens de evacuação provocaram pânico e a saída de moradores da cidade histórica.

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Os ataques também atingiram o leste do Líbano. O Exército israelense emitiu novas ordens de evacuação para Mashghara e Sohmor, no Vale do Bekaa, onde foram registrados bombardeios na noite de segunda‑feira.

Segundo o Ministério da Saúde libanês, pelo menos 11 pessoas morreram e outras 15 ficaram feridas em um ataque em Mashghara, incluindo crianças e uma mulher.

As Forças Armadas de Israel afirmaram ter atingido mais de 100 alvos do Hezbollah durante a noite. Em resposta, o movimento xiita disse ter repelido uma incursão terrestre israelense ao amanhecer desta terça-feira, nas proximidades da cidade de Zawtar al‑Sharqiya, com uso de foguetes, artilharia e drones explosivos.

Apesar do cessar‑fogo, Israel mantém operações aéreas e terrestres no Líbano, alegando atingir alvos do Hezbollah. No momento, negociações indiretas envolvendo Estados Unidos e Irã permanecem um impasse diplomático.

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Desde o início da guerra, em março, os ataques israelenses já deixaram mais de 3.200 mortos no Líbano, segundo dados do Ministério da Saúde do país.

Com AFP

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