O embaixador da Rússia na ONU disse nesta terça-feira que os Estados Unidos não concederam um visto para o vice-ministro russo das Relações Exteriores, Alexander Alimov, participar de uma reunião do Conselho de Segurança da ONU, classificando o ocorrido de uma violação dos termos do Acordo de Sede da organização por parte dos EUA.
Vassily Nebenzia fez o comentário em uma reunião do Conselho de Segurança da ONU, composto por 15 membros e presidido pelo ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, reunião da qual Alimov pretendia participar.
O Departamento de Estado e a missão dos EUA na ONU não responderam imediatamente às perguntas sobre a declaração de Nebenzia.
"A delegação russa... com base no convite do ministro das Relações Exteriores, Wang Yi, deveria ter sido representada durante a reunião de hoje no nível do vice-ministro das Relações Exteriores da Federação Russa, Alexander Alimov, que supervisiona os assuntos relacionados às Nações Unidas", disse Nebenzia.
"No entanto, apesar de todas as nossas tentativas de persuadir os EUA a emitir um visto para ele, esse visto acabou não sendo concedido", acrescentou.
Nebenzia disse que, segundo o Acordo da Sede da ONU, o acesso à sede da ONU em Nova York "precisa ser fornecido a todos os funcionários dos Estados membros, sem exceção".
Ele acrescentou que a Rússia considerou a questão como "um exemplo flagrante de desrespeito à presidência chinesa do Conselho de Segurança e ao tópico que está sendo discutido hoje, o da Carta das Nações Unidas".
Nebenzia disse que a carta está sob pressão e acusou os países liderados pelo Ocidente de usar dois pesos e duas medidas para manter o domínio. Para ele, a remilitarização na Alemanha e no Japão são desdobramentos perigosos que ameaçam a segurança global e desfazem resultados da Segunda Guerra Mundial.
"A política de remilitarização está minando o sistema internacional centrado na ONU", disse ele.
"Os países que foram derrotados durante a Segunda Guerra Mundial estão buscando pretextos plausíveis para reescrever seus resultados, e sua retórica não deve enganar ninguém. Essa é uma tendência muito perigosa, que merece a atenção de toda a comunidade internacional."
Wang disse que é necessário "revigorar" a Carta da ONU em meio à crescente instabilidade e conflito global, alertando que "um navio gigante da civilização global está navegando em águas perigosas".
O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse na reunião que o mundo agora enfrenta o maior número de conflitos desde a fundação das Nações Unidas, no final da Segunda Guerra Mundial, e "riscos novos e desconhecidos para a paz e a segurança".