Os bombeiros lutavam para controlar o maior incêndio florestal do ano na Espanha nesta terça-feira, e dois bombeiros morreram em um incêndio no sudoeste da França, enquanto o calor extremo persistia na Europa, com condições cada vez mais instáveis que trazem seca e previsões de fortes tempestades de granizo.
As mortes ocorreram perto de um aeroporto na região de Gironde, que estava em alerta máximo para incêndios florestais, informou o ministro do Interior, Laurent Nunez, duas semanas após a morte de outro bombeiro na região de Savoie, nos Alpes franceses.
Na província de Guadalajara, no centro da Espanha, um incêndio florestal continuava fora de controle pelo sexto dia consecutivo, forçando a retirada de mais de 1.200 pessoas.
Equipes de emergência trabalhavam para conter as chamas enquanto temperaturas acima de 40 graus Celsius elevavam o risco de incêndio a níveis extremos, menos de duas semanas após o incêndio florestal mais mortal da Espanha em décadas ter matado 13 pessoas perto de Bedar, na província de Almería, no sul do país.
A Europa é o continente que mais rapidamente se aquece no mundo, e muitos cientistas afirmam que as mudanças climáticas causadas pelo homem estão aumentando a intensidade das ondas de calor, secas e incêndios florestais, ao mesmo tempo em que criam condições para tempestades repentinas e destrutivas.
O continente já sofreu três ondas de calor sufocantes, quase consecutivas, neste ano. O calor intenso também foi apontado como responsável por milhares de mortes em excesso no período de maio a junho.
PARTES DA INGLATERRA SOFREM COM SECAS, GRANIZO NOS BALCÃS
No Reino Unido, a Thames Water anunciou que introduzirá restrições de uso para os 10 milhões de clientes a quem fornece água potável em Londres e arredores, proibindo o uso de mangueiras, aspersores e lavadoras de alta pressão ao ar livre para economizar o abastecimento.
A Inglaterra teve apenas 3% da sua média histórica de precipitação para julho, com o sul e o leste do país não registrando nenhuma precipitação até o momento — o período mais longo sem chuva desde meados da década de 1990, informou o Grupo Nacional de Secas do governo britânico.
No sudeste da Europa, as autoridades gregas aconselharam os moradores a permanecerem em casa, já que o país enfrentava sua primeira grande onda de calor do pico do verão, com temperaturas previstas para atingir 40 °C.
No centro de Atenas, moradores e turistas na Acrópole se protegiam do calor com chapéus e guarda-chuvas, enquanto restaurantes e cafés utilizavam ventiladores que espalhavam névoa de água para refrescar seus clientes.
O Reuters Climate Monitor, uma ferramenta interativa que fornece dados em tempo real, mostrou que a temperatura máxima média na Europa Ocidental foi de 26,3 °C, 2,7 graus acima da média sazonal para 21 de julho registrada entre 1961 e 1990.
As temperaturas na Grécia ficaram 5,8 graus acima do normal. A temperatura máxima média da Espanha, de 33,2 °C, ficou 5,3 graus acima do que era típico nas últimas décadas.
Na Albânia, tanto moradores quanto turistas buscaram o frescor das fontes de água nas ruas.
"Juro por Deus, a temperatura está muito alta hoje. Hoje está fazendo 42 graus. Não dá para aguentar isso sem água fria", disse Ferid Salihu, morador de Tirana.
Na Sérvia, o nível da água do Danúbio caiu para o mais baixo desde 1946, forçando barcaças e navios a transportarem cargas menores para navegar pelos trechos sérvios dos rios Danúbio e Sava, informaram as autoridades portuárias fluviais.
Autoridades em toda a região dos Balcãs Ocidentais alertaram para uma mudança das ondas de calor para tempestades de granizo.
Várias pessoas ficaram levemente feridas em uma tempestade de granizo no balneário de Rovinj, no norte do Adriático, na Croácia, informou a mídia croata. As tempestades continuarão a se espalhar para a Eslovênia, ao norte, passando pela Bósnia e Herzegovina e pelo sul da Sérvia até a Macedônia do Norte, de acordo com as previsões meteorológicas locais.