Primeiro chefe de Estado libanês a visitar a Casa Branca em quase 20 anos, Joseph Aoun foi apresentar a Donald Trump um projeto para o desarmamento do Hezbollah, movimento xiita armado alinhado ao Irã, e buscar do presidente americano uma garantia para a retirada das tropas israelenses do Líbano. "Este será o seu legado", disse o presidente do Líbano a Trump antes da conversa privada entre os dois. "Juntos, seremos capazes de alcançar esse objetivo (de desarmar o Hezbollah). É hora de o Líbano, e toda a região, serem estáveis e seguros", acrescentou.
Este foi o primeiro encontro entre Donald Trump e Joseph Aoun. O presidente libanês chegou a Washington no fim de semana e se reuniu no domingo (19) com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, ressaltando a necessidade de que Israel começasse a se retirar do sul do Líbano em conformidade com o acordo-quadro de 26 de junho, firmado sob mediação americana.
Falando aos jornalistas no Salão Oval no início da reunião desta terça-feira, Trump destacou que existe um "problema Hezbollah". "O Líbano foi muito maltratado (...) e vamos garantir que seja tratado com o respeito que merece", acrescentou o chefe da Casa Branca.
Nova fase de teste
As conversas entre os chefes de Estado ocorrem em um momento crucial para o país árabe. O Exército libanês começou nesta terça-feira a se deslocar para duas cidades do sul do país, informou uma alta autoridade de segurança libanesa, após a retirada dos soldados israelenses dessas localidades. Trata-se de uma primeira fase de teste para a implementação do acordo entre Beirute e Israel.
O Hezbollah manifestou oposição às negociações diretas entre o governo libanês e o Estado de Israel, além de denunciar os esforços de Beirute para desarmá-lo, citando a necessidade de "resistir" à ocupação israelense.
Israel e o Líbano nunca estabeleceram formalmente a paz nem relações bilaterais. Beirute não reconhece o Estado israelense, que realizou múltiplas ofensivas no território libanês e o invadiu diversas vezes ao longo das últimas décadas.
Uma nova campanha militar foi lançada por Israel no Líbano em março passado. As forças israelenses invadiram o território libanês, devastando o sul da nação, sob o argumento de que buscavam "neutralizar" o Hezbollah e impor uma "zona de segurança" até o rio Litani, o que reacendeu o temor de uma repetição da ocupação considerada ilegal entre 1982 e 2000.
Na ocasião, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, prometeu uma destruição semelhante à infligida em Gaza, enquanto o ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, defendeu a anexação do sul do Líbano para transformar o rio Litani na fronteira norte de Israel.
Medidas de desarmamento
Israel acusa o Hezbollah e o governo libanês de não terem executado o desarmamento previsto no acordo de cessar-fogo patrocinado pelos Estados Unidos e pela França em novembro de 2024. As Forças de Defesa de Israel continuaram realizando ataques no Líbano por meses, em violação ao acordo, e mantiveram posições no sul do país além do prazo estabelecido para sua retirada.
O combate mais recente começou depois que o Hezbollah lançou foguetes contra Israel após o assassinato do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã durante quase quatro décadas, no primeiro dia dos bombardeios americano-israelenses contra o Irã, em 28 de fevereiro. Israel justificou sua retaliação como uma resposta à ameaça representada pelo Hezbollah, aliado do Irã, e à necessidade de proteger seu território de ataques com foguetes.
Mais de 1,3 milhão de pessoas foram temporariamente deslocadas pela ofensiva israelense no Líbano, provocando temores no governo local de uma crise migratória duradoura. Centenas de milhares de libaneses continuam deslocados. Segundo o Ministério da Saúde do Líbano, pelo menos 4.300 pessoas, incluindo quase 800 crianças, mulheres e socorristas, foram mortas por Israel desde 2 de março. No mesmo período, 22 soldados e civis israelenses morreram em ataques do Hezbollah.
Com agências