As forças russas responderam aos ataques ucranianos que causaram ao menos oito mortes na Rússia, no sábado (18), e voltaram a bombardear Kiev na última noite, matando pelo menos uma pessoa e ferindo 16. Na capital ucraniana, explosões podiam ser ouvidas de dentro dos abrigos antiaéreos.
Foi um dos maiores ataques com mísseis balísticos russos desde o início da guerra, em fevereiro de 2022, afirmou o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky. Uma série de fortes explosões ecoou durante a noite pela capital ucraniana - que ficou às escuras - em um ataque envolvendo 41 mísseis de diversos tipos, que devastaram inúmeros edifícios em vários bairros da cidade.
Prédios residenciais, armazéns, um supermercado e um alojamento universitário estavam entre as estruturas danificadas, disse o prefeito Vitali Klitschko. Os bombardeios atingiram cinco distritos da capital.
Desde junho, Kiev tem sido alvo frequente de ataques russos com mísseis balísticos - armas rápidas e mais difíceis de interceptar do que drones ou mísseis de cruzeiro.
O prefeito de Kiev informou no Telegram que veículos estavam em chamas e fumaça subia perto de um shopping center no distrito de Desnianskyi. No distrito de Shevchenkivskyi, a queda de destroços provocou um incêndio em um prédio de apartamentos.
Um prédio residencial, um supermercado e uma casa também estavam em chamas em outros dois distritos, Solomianskyi e Sviatoshynskyi, segundo o prefeito.
Enquanto isso, a administração militar da capital anunciou que um prédio de apartamentos havia sido danificado no distrito de Shevchenkivskyi, e um shopping e vários veículos pegaram fogo no distrito de Dniprovskyi.
Ataques à região de Moscou
Os ataques a Kiev ocorrem um dia após um ataque ucraniano com drones a dois centros logísticos na Rússia, que deixou pelo menos oito mortos, segundo autoridades locais. Um depósito de petróleo na região de Moscou também pegou fogo, levando à evacuação de uma maternidade, de acordo com a mesma fonte.
Volodymyr Zelensky afirmou que as "duas grandes instalações logísticas" atingidas nas regiões de Moscou e Tambov estavam sendo usadas "para fornecer componentes sujeitos a sanções, destinados à produção de drones e equipamentos de navegação".
A Ucrânia tem atacado cada vez mais cidades russas distantes da fronteira em retaliação aos ataques diários de Moscou, como parte da ofensiva lançada em fevereiro de 2022.
A região de Moscou também foi alvo de mais de 370 drones na noite de sábado para domingo, "a maioria deles abatidos", segundo o prefeito de Moscou, Sergei Sobyanin.
Sistemas Patriot
Kiev também foi atingida justamente quando Zelensky sugeriu que mudanças poderiam ocorrer nas forças armadas. Protestos ocorreram em todo o país no sábado, pelo terceiro dia consecutivo, contra a demissão do popular ministro da Defesa, Mykhailo Fedorov.
A capital ucraniana, onde 30 pessoas morreram durante um bombardeio russo na noite de 1º para 2 de julho, enfrenta escassez de mísseis PAC-3 para seus sistemas Patriot de fabricação americana, essenciais para interceptar projéteis balísticos.
O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou recentemente sua intenção de autorizar a Ucrânia a produzir mísseis para os sistemas de defesa Patriot. Seu homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky, havia dito que a produção poderia começar "até o final de 2026" para reforçar as defesas do país contra a intensificação dos ataques balísticos russos.
Com AFP e Reuters