MP de Milão pede julgamento de 74 acusados em caso de espionagem na Itália

Dados de mais de 800 mil pessoas foram acessados ilegalmente no país

21 jul 2026 - 15h31
(atualizado às 15h45)

O Ministério Público de Milão solicitou nesta terça-feira (21) a abertura de julgamento sumário contra 74 pessoas investigadas no caso envolvendo a agência de investigação Equalize, suspeita de envolvimento em um esquema de espionagem e acesso não autorizado a bases de dados policiais.

Mais de 800 mil pessoas teriam sido alvos de espionagem
Mais de 800 mil pessoas teriam sido alvos de espionagem
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

Segundo os promotores, mais de 800 mil pessoas teriam sido alvos de coleta ilegal de informações, incluindo personalidades e empresários da Itália.

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A investigação, conduzida pelo núcleo de operações especiais ROS dos Carabineiros e coordenada pelos procuradores Eugenio Fusco e Francesco De Tommasi, revelou uma suposta rede de obtenção e comercialização de dados confidenciais extraídos de sistemas estratégicos.

O caso veio à tona há quase dois anos e envolve uma das maiores apurações sobre vazamento de informações sensíveis na Itália.

Entre os acusados estão Enrico Pazzali, ex-proprietário da Equalize e apontado pelos investigadores como uma das figuras centrais do esquema; o especialista em tecnologia Nunzio Samuele Calamucci; Giacomo Tortu, irmão do velocista Filippo Tortu; o banqueiro Matteo Arpe; e Stefano Speroni, diretor de assuntos jurídicos da Eni.

A lista de supostas vítimas inclui nomes conhecidos como o ator e diretor Ricky Tognazzi, o cantor Alex Britti, a jornalista Selvaggia Lucarelli, o ex-agente de fotografia Fabrizio Corona, o campeão olímpico Marcell Jacobs, o arquiteto Stefano Boeri e o empresário Paolo Scaroni.

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De acordo com a acusação, o grupo teria operado por meio de uma rede de colaboradores, incluindo agentes públicos que supostamente forneciam informações sigilosas em troca de pagamentos. As práticas investigadas envolvem acesso ilegal a sistemas informáticos, interceptações indevidas, corrupção e obtenção ilícita de dados pessoais e empresariais.

Um dos episódios mais conhecidos da investigação envolve Marcell Jacobs. Os promotores afirmam que informações sobre o atleta teriam sido solicitadas por Giacomo Tortu, irmão de seu companheiro de equipe, supostamente sem conhecimento do próprio velocista, mediante pagamento de 10 mil euros em dinheiro.

Outro caso citado pelos investigadores envolve um pedido relacionado ao departamento jurídico da Eni, atribuído a Stefano Speroni, que também responde por acusações relacionadas à difamação.

Em abril, o Ministério Público já havia solicitado julgamento para outras pessoas envolvidas no caso, incluindo Pazzali, então presidente da Fundação Fiera Milano, descrito pelos investigadores como o suposto líder de uma organização dedicada à produção de relatórios ilegais. A primeira linha da investigação apontava para a existência de uma associação criminosa voltada à coleta clandestina de informações.

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A nova etapa do processo inclui 74 acusados, entre eles Leonardo Maria Del Vecchio, apontado como possível cliente da rede. O pedido será analisado por um juiz de instrução preliminar, que avaliará a abertura formal do julgamento após a união das duas frentes da investigação. A audiência preliminar está prevista para outubro.

Além das personalidades públicas, a investigação revelou supostos acessos indevidos envolvendo executivos e representantes de grandes empresas, incluindo nomes ligados à Erg, Heineken e Barilla. As mais de 800 pessoas identificadas como possíveis vítimas poderão ingressar no processo como partes civis para buscar eventuais indenizações.

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