Japão aprova mudanças na sucessão imperial, mas mantém proibição de mulher se tornar imperatriz

Pesquisa realizada em maio pelo Asahi Shimbun, um dos maiores periódicos do país, revelou que 72% dos entrevistados eram favoráveis à mudança das regras para permitir que mulheres ascendessem ao trono

17 jul 2026 - 07h28
Imperador Naruhito, do Japão, em Tóquio
19/02/2021 Agência da Casa Imperial do Japão/Divulgação via REUTERS
Imperador Naruhito, do Japão, em Tóquio 19/02/2021 Agência da Casa Imperial do Japão/Divulgação via REUTERS
Foto: Reuters

O Parlamento japonês aprovou, nesta sexta-feira, 17, uma série de reformas na lei de sucessão imperial do país, no entanto, manteve a proibição de que mulheres se tornem imperatrizes. A manutenção da regra acontece apesar de uma pesquisa divulgada por um dos maiores jornais japoneses apontar que tal mudança teria amplo apoio popular.

O futuro da Casa Imperial Japonesa, que segundo a lenda descende de Amaterasu, a deusa xintoísta do sol, depende do príncipe Hisahito, de 19 anos, sobrinho do atual Imperador Naruhito, de 66 anos.

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Se Hisahito, que é solteiro, não tiver um filho, a linha de sucessão se extinguirá por falta de herdeiro, de acordo com as regras atuais.

A família imperial tem, atualmente, 16 membros no total, incluindo cinco homens: o Imperador Emérito Akihito, de 92 anos; o irmã de Akihito irmão, de 90 anos; o atual imperador, de 66 anos; o irmão do atual imperador, Fumihito, de 60 anos; e o filho de Fumihito, Hisahito.

A reforma, aprovada pela maioria do Senado japonês, autoriza parentes distantes do sexo masculino com mais de 15 anos a reintegrarem a família imperial, desde que sejam solteiros. Outra novidade é que mulheres agora podem manter o status imperial mesmo após se casarem com um plebeu, algo já permitido aos homens.

A Lei da Casa Imperial do Japão, em vigor desde 1947, não permite que mulheres ascendam ao Trono do Crisântemo, um direito que só pode ser transmitido pela linhagem masculina e que não foi alterado no projeto de lei recém-aprovado.

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A manutenção elimina a possibilidade da princesa Aiko, de 24 anos, filha de Naruhito, ou das duas irmãs mais velhas de Hisahito, possam se tornar imperatriz.

País 'dividido'

As mudanças na legislação foram alcançadas após significativas disputas dentro do partido conservador da primeira-ministra do país, Sanae Takaichi, a primeira mulher a ocupar o cargo no Japão. A premiê se opõe à permissão da sucessão feminina.

Seiichiro Murakami, parlamentar veterano do Partido Liberal Democrático (PLD), a maior sigla do Japão, disse após a aprovação do projeto de lei pela Câmara Baixa em 10 de julho que era "absolutamente ultrajante" descartar a possibilidade de Aiko se tornar imperatriz.

'Liberdade dos plebeus'

Antes da aprovação, Asahiro Kuni, de 81 anos, ex-membro da família imperial, disse que adotar parentes distantes do sexo masculino é irrealista, afirmando ainda que aconselharia aos netos rejeitarem tal proposta.

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Kuni pertence a um dos 11 ramos da família imperial que deixaram o registro imperial após a Segunda Guerra Mundial.

"Aos 15 anos, uma pessoa já cresceu respirando o ar da liberdade", disse Kuni ao jornal Asahi Shimbun. "Acho que seria difícil se adaptar à vida na família imperial."

"Pode haver pessoas que queiram se juntar à família imperial, mas se entendessem as dificuldades da vida como membro da família real, provavelmente não o fariam", acrescentou Kuni.

O Yomiuri Shimbun, um jornal de grande circulação e geralmente apoiador do Partido Liberal Democrático (PLD), também criticou o governo em um editorial recente.

Uma pesquisa realizada pelo jornal Asahi Shimbun em maio revelou que 72% dos entrevistados eram favoráveis ??à mudança das regras para permitir que mulheres ascendessem ao trono. /AFP

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