Japão rejeita métodos modernos em templos centenários: país usa trabalho de mestres artesãos com técnica milenar
Nada de pregos ou parafusos
Enquanto boa parte das construções modernas depende de pregos, parafusos e estruturas metálicas, alguns dos templos mais antigos do Japão continuam sendo restaurados exatamente da mesma forma como foram erguidos há mais de mil anos. Em vez de recorrer a fixadores modernos, mestres artesãos (ou mestres carpinteiros) utilizam uma técnica tradicional chamada kigumi, baseada em encaixes de madeira feitos com extrema precisão.
O método consiste em esculpir vigas, pilares e outras peças para que elas se encaixem perfeitamente umas nas outras, como um quebra-cabeça tridimensional. Dessa forma, toda a estrutura permanece unida sem a necessidade de qualquer elemento metálico.
A técnica é preservada pelos miyadaiku, artesãos especializados na construção e restauração de templos e santuários japoneses. O aprendizado leva anos e envolve muito mais do que habilidades de carpintaria: os profissionais estudam o comportamento de cada tipo de madeira, analisando seus veios, curvaturas naturais e resistência antes mesmo de decidir onde cada peça será utilizada.
Técnica é particularmente útil para o Japão
A escolha por evitar pregos não acontece apenas para manter viva uma tradição milenar. Ela também oferece vantagens práticas em um país marcado por terremotos, tufões, chuvas intensas e alta umidade.
Com o passar do tempo, pregos e outras peças metálicas podem enferrujar conforme a umidade penetra na madeira, enfraquecendo as conexões estruturais. Já os encaixes de madeira acompanham a expansão e...
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