Escalada entre Estados Unidos e Irã amplia risco de guerra regional e ameaça rotas globais de energia

A guerra entre Estados Unidos e Irã entrou nesta quarta-feira (15) em uma nova fase de intensificação militar, com ataques americanos em diferentes regiões do território iraniano e uma resposta de Teerã que atingiu bases e instalações ligadas aos Estados Unidos em vários países do Golfo.

15 jul 2026 - 06h16

Pelo quarto dia consecutivo, forças americanas realizaram bombardeios contra alvos militares iranianos. Um dos ataques mais graves ocorreu na região de Bampur, próxima à cidade de Iranshahr, no sudeste do país, onde treze mísseis atingiram instalações militares, alojamentos e postos de guarda. Segundo o exército iraniano, pelo menos sete militares morreram e vários ficaram feridos.

Imagem retirada de um vídeo que o exército americano alega ser de mísseis lançados para atingir alvos no Irã, distribuído pelo comando central dos EUA, em 13 de julho de 2026.
Imagem retirada de um vídeo que o exército americano alega ser de mísseis lançados para atingir alvos no Irã, distribuído pelo comando central dos EUA, em 13 de julho de 2026.
Foto: © AFP / RFI

Também nesta quarta-feira, novas explosões foram registradas em Bouchehr, cidade portuária do sudoeste iraniano que abriga a única usina nuclear em funcionamento no país. De acordo com a agência estatal Irna, três pontos da cidade foram atingidos, sem registro de vítimas. A proximidade dos ataques com instalações nucleares aumenta as preocupações internacionais sobre uma possível expansão do conflito.

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Em resposta, o Irã lançou a oitava fase da operação militar "Saeqeh", direcionada contra interesses americanos na região. Autoridades iranianas afirmam ter atacado instalações ligadas à Quinta Frota dos Estados Unidos, sediada no Bahrein, além de posições militares no Kuwait e na Jordânia. As forças armadas jordanianas anunciaram ter interceptado três mísseis balísticos iranianos antes que atingissem a base aérea de Al-Azraq, utilizada pelas forças americanas.

Transporte de petróleo ameaçado

A crise também se desloca para o campo econômico e energético. A Guarda Revolucionária iraniana voltou a afirmar que o Estreito de Ormuz permanecerá fechado enquanto continuarem as operações militares americanas. Cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo passa diariamente pela estreita passagem marítima que conecta o Golfo Pérsico ao Oceano Índico, tornando a região um dos pontos mais sensíveis da economia global.

Analistas avaliam ainda a possibilidade de grupos aliados do Irã, como os houthis do Iêmen, ampliarem as ameaças ao estreito de Bab el-Mandeb, outra rota estratégica para o comércio internacional.

Apesar da escalada, o presidente americano Donald Trump afirmou que um acordo com Teerã ainda seria possível, embora tenha advertido que novos ataques poderão atingir infraestruturas energéticas e elétricas iranianas caso o governo iraniano não retorne às negociações. Teerã, por sua vez, acusa Washington de ter rompido o entendimento diplomático que buscava encerrar os confrontos e considera o restabelecimento do bloqueio aos portos iranianos uma violação dos compromissos assumidos pelos Estados Unidos.

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O conflito ocorre em um momento de elevada tensão em todo o Oriente Médio. Enquanto Irã e Estados Unidos ampliam suas operações militares, Israel e Líbano iniciaram em Roma as primeiras negociações sobre a retirada de tropas israelenses de áreas do sul libanês. Paralelamente, a guerra em Gaza continua produzindo vítimas civis e pressionando os esforços diplomáticos internacionais.

A combinação entre ataques militares, ameaças ao fornecimento global de energia e o envolvimento crescente de países vizinhos aumenta o risco de que a atual crise deixe de ser um confronto bilateral para se transformar em um conflito regional de maiores proporções, com impactos diretos sobre os preços do petróleo, as cadeias de abastecimento e a estabilidade geopolítica mundial.

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