Carrie Nooten, correspondente da RFI em Nova York, e AFP
A Casa Branca convidou diversos líderes mundiais para integrar o conselho, presidido pelo próprio Trump, entre eles, Luiz Inácio Lula da Silva, o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, e o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney.
Também foram convidados os presidentes do Egito,Abdel Fattah al-Sissi, da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, assim como os primeiros-ministros canadense, indiano, paquistanês e albanês. O presidente argentino, Javier Milei, também figura entre os convidados, além do rei da Jordânia, Abdallah II, do presidente romeno, Nicusor Dan, e da primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni.
Segundo o Kremlin, o presidente russo, Vladimir Putin, também teria recebido um convite. No entanto, nenhuma confirmação foi dada quanto a um possível convite ao presidente francês, Emmanuel Macron.
Os países membros — representados no conselho por seus chefes de Estado — poderiam participar por três anos ou por um período maior caso pagassem mais de US$ 1 bilhão no primeiro ano, segundo o estatuto.
"Cada Estado-membro deverá cumprir um mandato máximo de três anos a partir da entrada em vigor deste Estatuto, sujeito à renovação pelo presidente", afirma o rascunho do estatuto do conselho.
"O mandato de três anos não se aplicará aos Estados-membros que contribuírem com mais de US$ 1 bilhão em recursos financeiros ao Conselho da Paz dentro do primeiro ano da entrada em vigor deste Estatuto."
O conselho foi originalmente concebido para supervisionar a reconstrução de Gaza, mas seu estatuto não parece limitar seu papel ao território palestino ocupado.
A Casa Branca afirmou que haverá um conselho principal, um comitê palestino de tecnocratas destinado a governar a Faixa de Gaza devastada e um segundo "conselho executivo", que aparenta ter um papel mais consultivo.
"O Conselho da Paz é uma organização internacional que busca promover a estabilidade, restaurar uma governança confiável e legal e assegurar uma paz duradoura em áreas afetadas ou ameaçadas por conflitos", diz o estatuto.
"Instituições fracassadas"
O documento parece criticar instituições internacionais como as Nações Unidas, ao afirmar que o conselho deve ter "a coragem de se afastar de abordagens e instituições que falharam com muita frequência".
Trump critica regularmente a ONU e anunciou neste mês que seu país vai se retirar de 66 organizações e tratados globais — cerca de metade deles ligados à ONU.
A participação no conselho seria "limitada aos Estados convidados pelo Presidente", segundo o rascunho do estatuto.
Trump teria o poder de remover Estados-membros do conselho, sujeito a um veto de dois terços dos integrantes, e de escolher seu substituto caso deixe o cargo de presidente do órgão.
O "Conselho da Paz" começou a tomar forma no sábado (17), quando os líderes do Egito, da Turquia, da Argentina e do Canadá foram convidados a participar.
Trump também nomeou como membros o secretário de Estado Marco Rubio, o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, o negociador-chefe Steve Witkoff e seu genro Jared Kushner.
Israel se opôs à composição de um "conselho executivo para Gaza" que funcionaria sob o órgão, o qual inclui o ministro das Relações Exteriores da Turquia, Hakan Fidan, e o diplomata do Catar Ali Al-Thawadi.