Crescimento global se mantém em 3,3% em 2026, enquanto Brasil desacelera para 1,6%, prevê FMI

O crescimento da economia mundial se manterá estável em 2026 em relação a 2025, alcançando 3,3%, afirmou o Fundo Monetário Internacional (FMI) ao divulgar sua atualização das Perspectivas da Economia Mundial, nesta segunda-feira (19). O resultado é 0,2 ponto percentual acima do previsto em outubro.

19 jan 2026 - 12h07

O resultado foi revisado para cima graças ao impulso dos investimentos em tecnologia. Porém, o FMI advertiu que o impacto da inteligência artificial (IA) e o ressurgimento de tensões comerciais poderiam provocar perturbações. Este crescimento de 3,3% significaria igualar o de 2025.

O FMI elevou sua estimativa de alta do PIB mundial para 3,3% em 2026, ligeiramente acima do previsto em outubro.
O FMI elevou sua estimativa de alta do PIB mundial para 3,3% em 2026, ligeiramente acima do previsto em outubro.
Foto: REUTERS - Yuri Gripas / RFI

As novas perspectivas para a América Latina são de um crescimento de 2,2%, o que representa 0,1 ponto percentual a menos. De acordo com o FMI, o Brasil cresceria 1,6% em 2026, 0,3 ponto percentual a menos, enquanto o crescimento do México se manteria inalterado, em 1,5%.

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O Fundo advertiu que "a resiliência mostrada até agora se deve, em grande medida, a alguns poucos setores", o que indica vulnerabilidade. Embora a economia global pareça estar "deixando para trás as interrupções comerciais e tarifárias de 2025", isso não significa que não tenha havido impacto, disse o economista-chefe do FMI, Pierre-Olivier Gourinchas.

Ao contrário, os desafios foram compensados pelos "bons ventos da IA e do investimento tecnológico", disse a jornalistas, citando especialmente o caso da América do Norte e da Ásia.

Tarifas e inflação

Em 2025, o setor privado mostrou capacidade de adaptação para enfrentar os choques comerciais, enquanto o apoio fiscal e monetário proporcionou impulso.

Desde que voltou à Casa Branca, em janeiro passado, o presidente americano Donald Trump impôs tarifas alfandegárias generalizadas que afetaram tanto aliados quanto concorrentes, agitando os mercados financeiros e as cadeias de abastecimento e ampliando as tensões comerciais.

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Mas o governo Trump fechou, logo em seguida, acordos tarifários com vários parceiros e, de forma crucial, alcançou uma trégua temporária com a China, a segunda maior economia do mundo. Por ora, espera-se que a inflação global diminua dos estimados 4,1% em 2025 para 3,8% em 2026.

Incerteza maior

Para o FMI, a incerteza sobre a política comercial permanece muito maior do que em janeiro de 2025. Segundo o Fundo, ainda poderiam ocorrer problemas ocasionais em regiões como a América Latina.

A Suprema Corte dos Estados Unidos também deve se pronunciar sobre a legalidade do uso, por parte de Trump, de poderes econômicos de emergência para impor tarifas alfandegárias a bens de praticamente todos os parceiros comerciais.

Espera-se que o alto tribunal emita uma decisão ainda no início de 2026, segundo o Fundo. A anulação de algumas tarifas alfandegárias "injetaria outra dose de incerteza sobre a política comercial na economia global", acrescentou Gourinchas.

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Trump poderia recorrer a outros métodos para reimpor as tarifas, o que gera mais incerteza. Além do comércio, o auge da IA que impulsiona a economia global traz seus próprios riscos, disse Gourinchas.

Existe a possibilidade de uma "correção do mercado" caso não se concretizem as expectativas sobre lucros, produtividade e rentabilidade da IA. O FMI estima que o repique do investimento e do gasto em tecnologia acrescentou cerca de 0,3 ponto percentual ao crescimento anual médio do PIB dos Estados Unidos nos três primeiros trimestres de 2025.Isso compensou o peso da longa paralisação do governo federal no fim do ano.

O economista-chefe do FMI destacou a divergência entre os Estados Unidos — que estão experimentando um salto nos investimentos em tecnologia de IA — e outras economias avançadas.

EUA cresce mais que Europa

O FMI estima o crescimento dos Estados Unidos em 2,4% para 2026, 0,3 ponto percentual acima do previsto em outubro.

Em contraste, prevê um crescimento de 1,3% na zona do euro e um ritmo mais lento no Japão.

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O crescimento da China e da Índia também é "relativamente sólido" em comparação com outros mercados emergentes, afirma Gourinchas.

Ele ressaltou a necessidade de independência dos bancos centrais para que cumpram seus mandatos de estabilidade de preços e estabilidade financeira.

Embora não tenha comentado uma investigação em curso do Departamento de Justiça dos Estados Unidos sobre o presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano), Jerome Powell, destacou que a importância do dólar americano para o sistema monetário internacional implica que é "ainda mais importante" que o Fed possa fazer seu trabalho — e fazê-lo bem.

Com AFP

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