O Irã pode suspender o bloqueio da internet em alguns dias, disse um membro sênior do Parlamento na segunda-feira, depois que as autoridades fecharam as comunicações enquanto usavam força para reprimir protestos na pior agitação interna desde a Revolução Islâmica de 1979.
No mais recente sinal de fraqueza no controle das autoridades, a televisão estatal pareceu ter sido hackeada no final do domingo, exibindo brevemente discursos do presidente dos EUA, Donald Trump, e do filho exilado do último xá do Irã, conclamando o público a se revoltar.
As ruas do Irã ficaram em silêncio por uma semana desde que os protestos contra o governo, que começaram no final de dezembro, foram reprimidos em três dias de violência em massa.
Uma autoridade iraniana disse à Reuters, sob condição de anonimato, que o número de mortos confirmado foi de mais de 5.000, incluindo 500 membros das forças de segurança, sendo que alguns dos piores distúrbios ocorreram em áreas de etnia curda no noroeste. Grupos de direitos humanos iranianos baseados no Ocidente também afirmam que milhares de pessoas foram mortas.
Os opositores acusam as autoridades de abrir fogo contra manifestantes pacíficos para esmagar a dissidência. Os governantes clericais do Irã afirmam que multidões armadas incentivadas por inimigos estrangeiros atacaram hospitais e mesquitas.
O número de mortos é muito maior do que o registrado em episódios anteriores de agitação contra o governo, reprimidos pelas autoridades em 2022 e 2009. A violência atraiu repetidas ameaças de Trump de intervir militarmente, embora ele tenha recuado desde que a matança em larga escala parou.
INTERNET VOLTARÁ QUANDO "AS CONDIÇÕES FOREM ADEQUADAS"
Ebrahim Azizi, chefe do Comitê de Segurança Nacional e Política Externa do Parlamento, disse que os principais órgãos de segurança decidiriam sobre a restauração da internet nos próximos dias, com a retomada do serviço "assim que as condições de segurança forem adequadas".
Outro membro do Parlamento, o linha-dura Hamid Rasaei, afirmou que as autoridades deveriam ter ouvido as reclamações anteriores do líder supremo Ali Khamenei sobre o "espaço cibernético frouxo".
As comunicações iranianas, incluindo a internet e as linhas telefônicas internacionais, foram em grande parte interrompidas nos dias que antecederam os piores distúrbios. Desde então, o bloqueio foi parcialmente atenuado, permitindo o surgimento de relatos de ataques generalizados contra os manifestantes.