Favorável à ajuda da China, Irã diz que EUA estão dispostos a seguir com negociações para encerrar conflito

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou nesta sexta-feira (15), em Nova Délhi, na Índia, que recebeu mensagens dos Estados Unidos favoráveis ​​à retomada das negociações para pôr fim ao conflito no Oriente Médio, acrescentando que está aberto à assistência de Pequim.

15 mai 2026 - 14h03

"Recebemos novamente mensagens dos americanos indicando que eles estão dispostos a continuar as discussões e manter contato", disse Araghchi a jornalistas na capital indiana, onde participa de uma reunião do Brics.

Ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, durante uma coletiva de imprensa na Embaixada do Irã em Nova Délhi, em 15 de maio.
Ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, durante uma coletiva de imprensa na Embaixada do Irã em Nova Délhi, em 15 de maio.
Foto: © Reuters/Adnan Abidi / RFI

O ministro iraniano fez essa declaração um dia depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, em visita à China, ter afirmado que o líder chinês, Xi Jinping, ofereceu a ajuda de seu país para a reabertura do Estreito de Ormuz.

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"Agradecemos a qualquer um que tenha capacidade para ajudar, especialmente a China (...) Temos ótimas relações com o país, somos parceiros estratégicos e sabemos que os chineses têm boas intenções. Qualquer iniciativa de sua parte que possa apoiar a diplomacia será, portanto, bem-vinda pela República Islâmica", enfatizou Araghchi.

A China declarou nesta sexta-feira que tem trabalhado para pôr fim ao conflito desde o início dos ataques conjuntos EUA-Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro.

"Não há razão para continuar este conflito, que nunca deveria ter acontecido (...) Encontrar uma maneira de resolver a situação rapidamente é do interesse não só dos Estados Unidos e do Irã, mas também dos países da região e do resto do mundo", disse o Ministério das Relações Exteriores da China. Até agora, o Paquistão tem sido o principal mediador entre Washington e Teerã.

"O processo de mediação liderado pelo Paquistão ainda não fracassou, mas está seguindo um caminho muito difícil, especialmente por causa do comportamento dos americanos e da desconfiança que existe entre nós", disse Abbas Araghchi.

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Recentemente, Donald Trump criticou a resposta de Teerã à proposta americana de pôr fim à guerra, considerando-a "totalmente inaceitável".

Irã flexibiliza passagem de navios por Ormuz

O bloqueio no Estreito de Ormuz continua sendo um dos maiores efeitos colaterais do conflito, enquanto as negociações de paz não avançam. Por essa via marítima estratégica transitava, antes do conflito, cerca de um quinto dos hidrocarbonetos consumidos no mundo.

Nesta sexta-feira, entretanto, a televisão estatal afirmou que a Guarda Revolucionária iraniana está permitindo a passagem de mais navios pelo Estreito de Ormuz, cujo tráfego foi praticamente bloqueado pelo Irã desde o início da guerra no Oriente Médio, no fim de fevereiro.

Na quinta-feira (12), a emissora havia indicado que foi autorizada a passagem de mais de 30 embarcações pelo estreito nas 24 horas anteriores, e a agência estatal Tasnim informou que "vários barcos chineses" conseguiram cruzá-lo.

"Agora, mais navios podem passar pelo Estreito de Ormuz, sob a coordenação das forças navais do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica", declarou um jornalista da televisão estatal na cidade costeira de Bandar Abbas, no sul do Irã.

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"Isso indica que muitos países aceitaram os novos protocolos jurídicos que o Irã e as forças navais [da Guarda Revolucionária] instauraram nesta região e no Estreito de Ormuz", acrescentou.

O Parlamento iraniano, por sua vez, examina propostas para reforçar o controle nessa via. Em 23 de abril, seu vice-presidente, Hamidreza Hajibabaei, disse que Teerã já havia recebido as primeiras receitas do pedágio que está cobrando no estreito.

Em resposta ao bloqueio quase total imposto pela República Islâmica no estreito, os Estados Unidos aplicam, por sua vez, um bloqueio naval aos portos iranianos desde meados de abril.

Com AFP

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