Um grupo de cerca de 30 ex-oficiais israelenses de alto escalão, incluindo generais, uniu-se a agricultores palestinos na colheita de azeitonas na Cisjordânia ocupada em solidariedade contra a crescente violência de colonos militantes. Os veteranos compararam os ataques a pogroms e alertaram para os danos diplomáticos a Israel, além de criticarem a conivência do Exército, acusado por palestinos e ONGs de proteger os agressores, denúncia que as Forças Armadas israelenses negam.
Um grupo de ex-oficiais israelenses de alto escalão ajudou agricultores palestinos nesta terça-feira a colher azeitonas, em um gesto de solidariedade em meio a uma onda de violência por parte de colonos militantes contra palestinos na Cisjordânia ocupada.
"Quando vejo o que está acontecendo aqui, quando vejo esses caras chegando... e agredindo mulheres e crianças, isso me lembra as histórias que meus pais contavam da época em que o povo judeu sofria", disse o ex-major-general Eyal Ben-Reuven, que comparou os ataques de colonos militantes a pogroms.
Ben-Reuven disse que começou a organizar um grupo de cerca de 30 militares de alto escalão — incluindo seis generais — há vários meses, após um aumento na violência dos colonos que, segundo muitos palestinos, é facilitada pelas forças israelenses.
As Forças Armadas de Israel afirmaram que condenam a violência e atuam para manter a segurança na Cisjordânia.
"A ocupação é o principal problema da sociedade israelense. Acredito que devemos lidar com isso, não podemos ignorá-lo. Devemos tentar resolvê-lo junto com os palestinos", disse o ex-coronel Doron Meinert.
Ben-Reuven e outros disseram estar preocupados também com o impacto da violência dos colonos na reputação global de Israel.
"Estrategicamente e taticamente, isso está criando problemas para o Estado de Israel no Ocidente e nos Estados Unidos", disse Jonatan Yoni, ex-brigadeiro-general, que afirmou também estar motivado pela situação dos agricultores palestinos e pela oposição à anexação da Cisjordânia por Israel.
'EXÉRCITO ESTÁ PROTEGENDO OS COLONOS'
Nimr Nazzal, proprietário de terras próximas à vila de Qusra, onde os ex-militares estavam ajudando, disse que, sem eles, seria impossível para ele ter acesso às suas oliveiras devido aos ataques dos colonos.
Ele acrescentou que muitos dos ataques dos colonos contavam com o apoio dos militares israelenses. "O Exército está protegendo os colonos", disse Nazzal.
O grupo israelense de direitos humanos Yesh Din registrou 180 ataques físicos contra colhedores de azeitonas palestinos nos 35 dias desde o início da safra. As forças israelenses estavam presentes em mais de 23% dos casos de violência por parte dos colonos registrados pela organização, informou o Yesh Din.
Os palestinos afirmam que, quando ligam para as forças israelenses, estas ou respondem tarde ou vão em auxílio dos colonos que cometem a violência. As Forças Armadas negam isso.
Meinert, que agora dedica grande parte de seu tempo ao voluntariado na Cisjordânia em apoio aos palestinos, também afirmou que o Exército israelense auxiliou os colonos.
Alguns soldados israelenses, acrescentou Meinert, compartilham da crença dos colonos militantes de que apenas os judeus "têm direito a esta área e que os árabes devem ser expulsos ou permanecer aqui como residentes de segunda classe".
As Forças Armadas israelenses já afirmaram no passado que são o Exército do povo e refletem todo o espectro de opiniões da sociedade israelense.
A Cisjordânia abriga cerca de 500 mil colonos e pelo menos 3 milhões de palestinos. Órgãos da ONU e a maioria dos países consideram os assentamentos ilegais sob o direito internacional relativo a ocupações militares.
Israel rejeita essa posição, considerando o território como disputado, e não como ocupado.