Com quase 250 milhões de eleitores aptos, os EUA realizam eleições de meio de mandato que servem de referendo sobre Donald Trump, cuja aprovação caiu para 37,5%. O pleito definirá o controle da Câmara e do Senado, além de 36 governos estaduais. Uma vitória democrata pode limitar as ações do presidente nos dois anos finais de mandato. A apuração começa na Costa Leste, mas a confirmação da maioria no Congresso pode levar dias devido a disputas acirradas e à lentidão na contagem em estados-chave.
O Alasca e o Havaí, no oeste dos Estados Unidos, foram os últimos a abrir as urnas nesta terça, às 13h e 14h em Brasília, respectivamente. A votação ocorre agora em todo o país, em um pleito marcado por forte polarização política e encarado como um teste decisivo para o presidente norte-americano, Donald Trump.
Os primeiros locais de votação começam a fechar às 18h no horário local em alguns estados da Costa Leste (20h em Brasília). Na Costa Oeste, em estados como Califórnia, Oregon e Washington, as últimas seções eleitorais encerrarão as atividades às 20h locais (1h da madrugada de quarta-feira em Brasília). Os últimos pontos de votação do país só fecharão uma ou duas horas depois.
Se houver uma vitória expressiva de um dos partidos na Câmara dos Representantes, uma tendência mais clara poderá surgir entre 23h e meia-noite na Costa Leste dos Estados Unidos, o que corresponde ao intervalo entre 1h e 2h da manhã de quarta-feira no horário de Brasília.
No Senado, a situação tende a ser mais complexa. Os primeiros resultados decisivos devem vir de estados da Costa Leste, como Carolina do Norte, Ohio e Maine. Na sequência, a atenção se voltará para disputas consideradas cruciais no Texas, Iowa e Kansas, localizados no fuso horário Central. O Michigan, por sua vez, apresenta uma particularidade: o estado está dividido entre dois fusos horários, o que pode tornar a divulgação dos resultados mais gradual.
A experiência recente mostra que a definição do controle da Câmara Alta pode exigir paciência. Nas eleições de meio de mandato de 2022, foram necessários quatro dias para que a maioria do Senado fosse confirmada. Os democratas só garantiram o controle da Casa em 12 de novembro, após uma apuração prolongada em estados-chave.
Quase 250 milhões de eleitores convocados
Cerca de 250 milhões de pessoas estão aptos a votar nestas eleições. Caso os democratas consigam uma ampla vitória no Congresso, o resultado poderá reduzir significativamente a margem de manobra de Trump nos dois últimos anos de seu mandato.
O interesse pela disputa já se reflete na participação antecipada. Segundo o site Election Lab, da Universidade da Flórida, quase 58 milhões de americanos haviam votado antes do dia oficial da eleição, seja presencialmente, por correspondência ou em centros de votação antecipada.
A oposição democrata busca retomar o controle da Câmara dos Representantes, composta por 435 cadeiras, e tem oportunidades expressivas no Senado, onde 35 dos 100 assentos estão em disputa.
Com atualmente 47 senadores, os democratas esperam alcançar a maioria de 51 cadeiras na Câmara Alta. Pesquisas apontam disputas acirradas em estados tradicionalmente conservadores, como Maine, Alasca, Texas, Ohio e Kansas. Uma derrota republicana no Senado limitaria a capacidade do presidente de aprovar indicações para a Suprema Corte e para altos cargos da administração federal.
Além da disputa pelo Congresso, os eleitores escolherão governadores em 36 estados e renovarão centenas de cargos nas assembleias legislativas estaduais.
Impopularidade recorde de Trump
A eleição ocorre em um momento delicado para Donald Trump. O presidente enfrenta seu pior nível de aprovação desde o retorno à Casa Branca, em janeiro de 2025, em meio ao descontentamento de parte do eleitorado com a guerra contra o Irã e seus efeitos sobre os preços dos combustíveis.
Segundo a média de pesquisas compilada pelo jornal The New York Times, a taxa de aprovação do republicano caiu para 37,5%, o menor patamar de seu segundo mandato. Desde março de 2025, o percentual de eleitores que desaprovam sua gestão supera o dos que a apoiam.
Nesse contexto, as eleições de meio de mandato assumem o caráter de um referendo sobre o presidente, avaliação frequentemente repetida pelo próprio Trump durante a campanha.
Na tentativa de mobilizar sua base, o republicano concedeu nesta terça-feira uma entrevista por telefone à Fox News, na qual defendeu o desempenho de seu governo. Trump destacou sua política migratória, as tarifas comerciais, a inflação e a condução da guerra contra o Irã.
"Temos que manter a grandeza dos Estados Unidos. Agora somos grandes. Há dois anos éramos terríveis", declarou durante o programa Fox & Friends.
O presidente passou quase um mês percorrendo o país em campanha para as eleições legislativas mais caras da história americana, com gastos superiores a US$ 11 bilhões.
Na véspera da votação, Trump voltou a convocar seus apoiadores às urnas e classificou o pleito como decisivo: "São as eleições mais importantes das nossas vidas", afirmou.
RFI com agências