Janones convoca argentinos a apoiar o 'Exército do Peronismo' contra Milei

Recebido por Cristina Kirchner e Sergio Massa em Buenos Aires, o deputado André Janones apresentou aos principais nomes da oposição argentina as estratégias digitais utilizadas na campanha de Lula e gravou uma mensagem de apoio ao recém-criado canal "Exército do Peronismo" no WhatsApp. O parlamentar defendeu a articulação de forças progressistas na região, convocou os argentinos a se unirem para derrotar Javier Milei e afirmou que a disputa eleitoral do próximo ano será decisiva para medir a capacidade de reação da esquerda latino-americana.

3 nov 2026 - 11h08
(atualizado às 12h37)
Resumo
Em Buenos Aires, o deputado André Janones e publicitários da campanha de Lula reuniram-se com Cristina Kirchner e Sergio Massa para articular apoio ao peronismo contra Javier Milei. O parlamentar convocou argentinos para o canal "Exército do Peronismo", visando exportar estratégias digitais contra a extrema-direita global. No Brasil, Janones focará no mandato na Câmara para garantir a governabilidade de Lula, descartando assumir ministérios para manter sua atuação política e nas redes sociais.

Márcio Resende, correspondente da RFI em Buenos Aires

Recebido por Cristina Kirchner e Sergio Massa em Buenos Aires, o deputado André Janones (Rede-MG) apresentou aos principais nomes da oposição argentina as estratégias digitais utilizadas na campanha de Lula e gravou uma mensagem de apoio ao recém-criado canal "Exército do Peronismo" no WhatsApp.
Recebido por Cristina Kirchner e Sergio Massa em Buenos Aires, o deputado André Janones (Rede-MG) apresentou aos principais nomes da oposição argentina as estratégias digitais utilizadas na campanha de Lula e gravou uma mensagem de apoio ao recém-criado canal "Exército do Peronismo" no WhatsApp.
Foto: AFP - MAURO PIMENTEL / RFI

O deputado André Janones (Rede-MG), criador do "Exército do Lula" e artífice da épica vitória do aliado, antecipou em Buenos Aires que o grupo de WhatsApp com 10,5 milhões de seguidores terá, a partir de agora, uma nova missão: facilitar a governabilidade do presidente Lula diante de um Congresso adverso, dominado pela direita e extrema direita.

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"A primeira missão era reeleger o presidente Lula. Conseguimos. A partir de agora é dar governabilidade ao presidente para que ele não fique refém da Câmara nem do Senado", indicou Janones aos jornalistas após reunião com a ex-presidente Cristina Kirchner (2007-2015), em prisão domiciliar por corrupção.

Ainda na porta do edifício de Cristina Kirchner, no bairro de Constitución da capital argentina, André Janones considerou que a vitória de Lula pode ter sido "um levante do campo progressista contra a extrema direita no mundo". Para confirmar essa visão, a "prova de fogo" será derrotar o presidente Javier Milei em outubro do ano que vem, quando tentará a reeleição.

"Acho que derrotar o Milei aqui, no próximo ano, vai ter um significado muito semelhante ao que teve no Brasil. Vai ser um teste de fogo para mostrar que o caso do Brasil não foi um caso isolado. Derrotar a extrema direita aqui na Argentina vai mostrar que não foi um lance de sorte. Realmente, iniciou-se um levante do campo progressista, da esquerda, contra a extrema direita no mundo, iniciando pela América Latina", declarou Janones.

Missão governabilidade

O "general do Exército do Lula" concluiu que, para ajudar o presidente Lula nessa nova missão de garantir a governabilidade, é preciso exercer o mandato de deputado, reforçando a decisão de não assumir nenhum ministério.

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"Se eu fosse olhar para a minha zona de conforto, o ideal seria ir para o ministério. Mas, se eu for olhar para onde eu posso entregar para o presidente o que ele precisa, é na Câmara dos Deputados", ponderou, explicando que "um cargo ministerial o deixaria preso à liturgia e às obrigações burocráticas".

O deputado, que ensinou as técnicas algorítmicas para dominar a discussão nas redes sociais e para encurralar os seguidores de Flávio Bolsonaro na sua bolha, reuniu-se com a ex-presidente Cristina Kirchner por mais de duas horas com os publicitários brasileiros, responsáveis pela campanha de Lula, Rafael Marroquim e Chico Kertész.

"Ela se mostrou muito interessada em entender como a gente conseguiu esse resultado nas redes sociais durante o processo eleitoral. Falamos sobre peculiaridades do cenário da Argentina. A gente sabe que não é necessariamente igual no Brasil, mas que existem algumas semelhanças", comparou.

Derrota da extrema direita no mundo

"A gente entende que uma parte do que foi aplicado no Brasil pode ser replicado ao redor do mundo. O meu objetivo é, dentro daquilo que eu conheço da lógica algorítmica, do modo de funcionamento das redes sociais, levar isso ao máximo possível de pessoas, porque o nosso objetivo final é um só: derrotar a extrema direita no cenário mundial", apontou Janones.

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Mais tarde, em entrevista ao canal argentino C5N, ao lado do marqueteiro Rafael Marroquim, Janones contou que "30% da revolução digital aplicada na campanha eleitoral brasileira pode ser replicada em qualquer país do mundo", mas que, no caso argentino, "cerca de 50% ou 60% podem ser replicados".

Logo após chegar a Buenos Aires, André Janones, Rafael Marroquim e Chico Kertész reuniram-se com o ex-ministro da Economia Sergio Massa, candidato derrotado por Javier Milei nas eleições de 2023 e por Mauricio Macri nas de 2015. O objetivo da reunião seria assessorar na campanha eleitoral argentina de 2027.

Sergio Massa é um dos presidenciáveis do Partido Justicialista (Peronismo) para a disputa do ano que vem. Outro presidenciável é o atual governador da província de Buenos Aires, Axel Kicilof, também ex-ministro da Economia de Cristina Kirchner. A própria ex-presidente, atualmente inelegível e impedida pela Justiça para assumir qualquer cargo público, procura incidir em quem será o candidato do partido, embora ela mesma ainda alimente as chances de ser candidata, apesar da proibição.

"Quando eu recuperar os meus direitos políticos, por que não (ser candidata)?", disse Cristina Kirchner ao jornal The Washington Post em entrevista publicada nesta segunda-feira (2).

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Exército do Peronismo

A reunião entre Janones e Massa durou cerca de uma hora, "abordando as técnicas do uso do algoritmo para driblar a empresa Meta".

Em seguida, Janones gravou uma mensagem de vídeo para o canal "Exército do Peronismo", criado logo após a vitória de Lula, que empolgou vastos setores da oposição e militantes.

"Sigam o canal do 'Exército do Peronismo' no WhatsApp, porque vocês farão parte da história da Argentina. Acreditem nisso e sigam o Exército", começa o vídeo.

"Venho convidar todos os argentinos e dizer a vocês que se unam, porque é possível vencer. Espero que a vitória do presidente Lula possa inspirar todos os argentinos a dizer que podemos derrotar e que vamos derrotar Milei e a extrema direita", convocou.

Equipe de Lula contra Milei em 2027

Os contatos entre os marqueteiros brasileiros e presidenciáveis do peronismo apontam para o fechamento de um acordo para assessorar a campanha eleitoral daquele que concorrerá contra Milei dentro de alguns meses, a partir da experiência de sucesso de Lula, ponto de inflexão na chamada "onda azul".

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"Estamos aqui compartilhando experiências. Somos parte de um mesmo campo, o campo popular. Mas cada eleição tem o seu contexto, a sua história. Seria obtuso vir com uma receita pronta. Não há receitas. É preciso olhar para a realidade, realizar grupos focais e pesquisas quantitativas. Também observar os diálogos nas redes e ver como é a coalizão de forças políticas", avaliou o publicitário Rafael Marroquim, que se somou à equipe de Lula no segundo turno.

Javier Milei aliou-se com Flávio Bolsonaro em uma aliança que pretendia colher frutos, mas acabou sendo usada pela campanha de Lula contra o adversário. O modelo de ajuste fiscal de Milei, inspiração para Bolsonaro, deixa mais vítimas do que beneficiados. E essa estratégia agora será usada pelos marqueteiros brasileiros à medida que a economia argentina continuar a exibir números negativos.

"Nós começamos a campanha falando sobre o que poderia acontecer no Brasil se a tesoura de Flávio Bolsonaro fosse usada. O que acontece aqui na Argentina foi parte da comunicação que usamos no Brasil", recordou Marroquim.

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