Ucrânia vive dia de luto após bombardeio que deixou 31 mortos; operações de resgate são encerradas

A Ucrânia tem um dia de luto nesta sexta-feira (1°), após o bombardeio russo que atingiu a capital Kiev, na véspera. As autoridades informaram que o número de mortos subiu para 31 vítimas, incluindo cinco crianças.

1 ago 2025 - 14h56

A Ucrânia tem um dia de luto nesta sexta-feira (1°), após o bombardeio russo que atingiu a capital Kiev, na véspera. As autoridades informaram que o número de mortos subiu para 31 vítimas, incluindo cinco crianças. 

Um dos prédios residenciais atingidos na quinta-feira (31) em Kiev por drones russos, em meio à nova onda de ataques na Ucrânia.
Um dos prédios residenciais atingidos na quinta-feira (31) em Kiev por drones russos, em meio à nova onda de ataques na Ucrânia.
Foto: REUTERS - Valentyn Ogirenko / RFI

O bombardeio com dezenas de drones e mísseis é um dos mais graves já realizados contra a capital ucraniana desde o início da invasão russa, em fevereiro de 2022. Além do número de mortos, 159 pessoas ficaram feridas, entre elas, 16 crianças. 

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O ataque provocou danos em ao menos quatro bairros de Kiev. Um dos mísseis destruiu um dos blocos de um prédio residencial em Sviatochynsky, matando 25 pessoas. As operações de resgate foram encerradas nesta manhã. 

Nas redes sociais, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, lamentou o elevado número de vítimas. "Infelizmente, 31 pessoas foram confirmadas mortas, incluindo cinco crianças. A mais jovem tinha apenas dois anos", indicou. 

O líder ucraniano voltou pedir ajuda à comunidade internacional contra a Rússia. "Este desprezível ataque demonstra que é necessário exercer mais pressão e sanções sobre Moscou", declarou Zelensky. 

Recorde de drones e mortes

De acordo com um levantamento da France Presse, julho de 2025 bateu o recorde de lançamentos de drones russos contra a Ucrânia desde o início da guerra. Com base em números fornecidos pelas autoridades ucranianas, a agência de notícias contabiliza o uso de 6.297 drones de longa distância, resultando em um aumento pelo terceiro mês consecutivo e uma alta de 16% em relação a junho. 

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Além disso, a Rússia também lançou 198 mísseis contra a Ucrânia durante o mês de julho, mais do que em qualquer outro mês deste ano, com exceção de junho, segundo os dados analisados pela AFP. Nas últimas semanas, esses ataques aéreos foram registrados todas as noites, levando os moradores a se refugiar em abrigos e nos túneis de metrô. 

A escalada dos ataques russos com drones e mísseis contra cidades ucranianas já vinha sendo observada com preocupação pela ONU. No mês passado, a organização havia alertado para um novo recorde de civis feridos e mortos desde o início da guerra. 

Putin propõe "paz duradoura"

O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou nesta sexta-feira que quer uma "paz duradoura" na Ucrânia. Ao mesmo tempo, lembrou que as condições para o fim dos combates "permanecem inalteradas". As declarações foram feitas durante um encontro com o presidente de Belarus, Alexander Lukashenko. 

Moscou exige que Kiev ceda quatro regiões ucranianas parcialmente controladas pelo exército russo — Donetsk, Lugansk, Zaporíjia e Kherson — além da península da Crimeia, anexada pela Rússia em 2014. O Kremlin ainda quer que a Ucrânia renuncie ao recebimento de armas ocidentais e desista da adesão à Otan. 

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No entanto, para Kiev, essas condições são inaceitáveis. O governo ucraniano exige a retirada das tropas russas de seus territórios. Kiev também pede garantias de segurança por parte de seus aliados ocidentais, incluindo a continuidade das entregas de armas e o envio de um contingente europeu, medida à qual a Rússia se opõe.

Negociações em ponto morto

As negociações para encontrar uma saída diplomática para o conflito seguem em um impasse. Entre maio e julho deste ano, ocorreram três rodadas de negociações entre delegações russas e ucranianas na Turquia, que resultaram em trocas de prisioneiros, mas não em um cessar-fogo entre as duas partes. 

Zelensky voltou a manifestar nesta sexta-feira sua disposição de se encontrar pessoalmente com Vladimir Putin para tentar avançar nas negociações. No entanto, a proposta, por enquanto, é descartada pelo Kremlin. "Sabemos quem toma as decisões na Rússia e quem deve pôr fim a esta guerra", afirmou o presidente ucraniano nas redes sociais, acrescentando que a Ucrânia está pronta "a qualquer momento" para uma "reunião em nível de líderes".

Nesta sexta-feira, Putin também anunciou que Moscou iniciou a produção em série do Oreschnik, seu míssil hipersônico de última geração que pode transportar uma ogiva nuclear. No ano passado, a Rússia utilizou o projétil, sem carga nuclear, para atingir uma fábrica militar na cidade de Dnipro, no centro da Ucrânia. 

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Ao lado de Lukashenko, Putin reiterou que Moscou poderá em breve instalar os mísseis Oreschnik na Bielorrússia, aliada de Moscou e que divide a fronteira com vários países da Otan e da União Europeia. "Nossos especialistas militares, tanto bielorrussos quanto russos, já escolheram os locais para as futuras instalações [dos projéteis]. E agora os trabalhos para preparar essas posições estão em andamento", declarou Putin.

(RFI com AFP)

A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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