Starmer pede foco na guerra da Ucrânia durante visita de Zelensky a Londres

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, foi recebido em Londres nesta terça-feira (17) pelo primeiro-ministro britânico Keir Starmer. No encontro, Starmer pediu aos aliados de Kiev que não "perdessem de vista" o conflito na Ucrânia, apesar da guerra no Oriente Médio. Mais cedo, o presidente ucraniano foi recebido pelo rei Charles III no Palácio de Buckingham.

17 mar 2026 - 15h27

Após Paris, na semana passada, o líder ucraniano continua sua turnê europeia, em um momento em que a guerra de seu país contra a invasão russa está sendo ofuscada pelas ofensivas dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. Uma nova rodada de negociações para encontrar uma solução para o conflito entre a Ucrânia e a Rússia, o mais sangrento na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, foi repetidamente adiada, e nenhuma nova data foi definida até o momento.

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky (à esquerda) e o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer. Em Londres, em 17 de março de 2026.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky (à esquerda) e o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer. Em Londres, em 17 de março de 2026.
Foto: AFP - SUZANNE PLUNKETT / RFI

"É realmente importante entender que precisamos manter o foco na Ucrânia. Obviamente, há um conflito no Irã e outros eventos no Oriente Médio, mas não podemos perder de vista o que está acontecendo na Ucrânia", disse o primeiro-ministro britânico ao receber Volodymyr Zelensky em Downing Street.

O presidente ucraniano, por sua vez, afirmou que desejava discutir com Keir Starmer os "esforços diplomáticos" e o "progresso" das negociações com os Estados Unidos e a Rússia para pôr fim ao conflito, acrescentando que a guerra no Oriente Médio tem "influência considerável" sobre a Ucrânia e a Europa.

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Na segunda-feira, Keir Starmer declarou que a guerra no Golfo não poderia se tornar uma vantagem para Putin. Ele se referia ao alívio das sanções americanas ao petróleo russo devido à alta dos preços do petróleo bruto relacionada à guerra no Oriente Médio.

O secretário de Defesa britânico, John Healey, assegurou a Kiev o apoio "inabalável" e "firme" do Reino Unido.

O presidente ucraniano também se reuniu com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte.

Encontro com Charles III

Antes de ser recebido em Downing Street, o presidente ucraniano se reuniu com o rei Charles III no Palácio de Buckingham. Volodymyr Zelensky agradeceu ao monarca "e a toda a família real pelo apoio e solidariedade inabaláveis à Ucrânia".

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Zelensky deverá discursar perante membros do Parlamento britânico ainda hoje.

Ele já havia recebido essa honra em fevereiro de 2023, quando as duas casas do Parlamento se reuniram no Westminster Hall, um vasto local que já recebeu poucos líderes estrangeiros.

Parceria de Defesa

Downing Street anunciou que, durante a visita de Zelensky a Londres, o Reino Unido e a Ucrânia devem assinar uma nova parceria de defesa, com o objetivo específico de combater melhor a ameaça de drones de baixo custo. Os dois países também "explorarão oportunidades para fortalecer sua cooperação industrial e tecnológica em defesa com terceiros países, a fim de reforçar a segurança internacional e garantir que as tecnologias de defesa mais recentes sejam disponibilizadas para aqueles que mais precisam delas", declarou Londres.

O presidente ucraniano quer destacar a expertise de seu país na interceptação de drones de fabricação iraniana, usados pela Rússia para atacar a Ucrânia diariamente e agora pelo Irã para atingir os países do Golfo.

"Nossas prioridades são claras: mais segurança e mais oportunidades para a Ucrânia", declarou o presidente ucraniano em Londres.

A guerra no Oriente Médio interrompeu os esforços diplomáticos liderados nos últimos meses pelos Estados Unidos para tentar colocar um ponto final no conflito na Ucrânia, que começou com a invasão russa há mais de quatro anos.

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Na quarta-feira (18), Volodymyr Zelensky viajará para Madri, onde se encontrará com o primeiro-ministro Pedro Sánchez, na véspera de uma reunião do Conselho Europeu em Bruxelas. Durante sua viagem anterior, em novembro, Pedro Sánchez anunciou um pacote de ajuda militar à Ucrânia no valor de 615 milhões de euros para ajudar o exército de Kiev a enfrentar a invasão russa, que ainda ocupa quase 20% de seu território.

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