"Acordos, fusões e alianças" são as palavras escolhidas para as manchetes dos principais jornais franceses a poucos dias da votação que vai definir a liderança política nas cidades para os próximos seis anos. "Chegou a hora dos pequenos cálculos", resume o diário Le Parisien em sua capa, lembrando que é no campo da esquerda onde as principais alianças ocorrem, entre socialistas, ecologistas e o polêmico partido França Insubmissa, da esquerda radical.
"As esquerdas em ebulição" é a manchete do jornal Libération, que lembra que as estratégias para o segundo turno das eleições municipais dependem frequentemente do contexto de cada local. Nas duas maiores cidades da França - Paris e Marselha - os candidatos progressistas se recusaram a se aliar à esquerda radical por considerarem ter intenções de voto suficientes. Já em Lyon, Toulouse e Nantes, a parceria com o partido França Insubmissa foi inevitável.
Centrista se alia à candidata conservadora de Paris em fim de carreira política
O jornal conservador Le Figaro estampa sua capa com uma foto da candidata da direita à prefeitura de Paris, Rachida Dati, do partido Os Republicanos. Ela chegou em segundo lugar no primeiro turno do pleito, conquistando 25,46% dos votos, atrás do socialista Emmanuel Grégoire, que obteve 37,98%.
O diário diz que, após horas de suspense, a ex-ministra da Cultura anunciou uma aliança com o candidato de centro-direita, Pierre-Yves Bournazel, do partido Horizontes, aliado do governo, que obteve 11,34% dos votos. Apesar da fusão das chapas, Bournazel anunciou de forma surpreendente que, em caso de vitória, não participará da administração, por ter decidido se retirar da vida política.
Novas relações de poder
"Novos equilíbrios", diz o jornal La Croix em sua manchete, que evoca "as novas relações" do poder local após o primeiro turno das eleições municipais. O diário afirma que, apesar de frequentemente envolvido em polêmicas, o França Insubmissa registra avanços, liderando o pleito ou se qualificando para o segundo turno em muitas cidades. Já a extrema direita registrou vitórias importantes em seus bastiões, como em Hénin-Beaumont, no norte, e Perpignan, no sul.
O jornal Le Parisien destaca o fracasso do líder do partido Reunião Nacional, Jordan Bardella, ao tentar se unir a partidos da direita. Até a noite de segunda-feira (16), o político ultranacionalista não havia conseguido emplacar seu discurso da necessidade de união dos conservadores para barragem do campo progressista que classifica de "extrema esquerda".