Trump desembarcou no encontro proclamando vitória, declarando que a medida garante "segurança em toda a região" e que o "petróleo vai correr livremente", segundo suas palavras. No entanto, ainda há divergências entre Washington e Teerã sobre a reabertura do Estreito de Ormuz. Os Estados Unidos falam em reabertura completa, enquanto o Irã ainda espera poder cobrar taxas por serviços marítimos.
O pesquisador David Rigoulet-Roze, do Instituto francês de Análise Estratégica e editor-chefe da revista Orient Stratégique, ressaltou em entrevista à RFI que ainda precisam ser definidas as modalidades de reabertura do estreito, com ou sem pedágio.
"No fundo, isso coloca em evidência um problema que compromete o princípio de livre circulação inerente à Convenção do Direito do Mar de 1982. Portanto, isso constituiria um precedente muito prejudicial. E até mesmo um país como a China, aliás, apelou abertamente pelo restabelecimento da livre circulação", observa.
Questões em aberto sobre o programa nuclear
Outro ponto sensível do compromisso diz respeito à capacidade nuclear do Irã. Embora o texto completo do protocolo não tenha sido divulgado, ele não mencionaria diretamente o programa balístico iraniano nem como agir diante de possíveis represálias de aliados de Teerã, como o grupo libanês Hezbollah, os rebeldes houthis do Iêmen ou o grupo palestino Hamas.
Para Rigoulet-Roze, muitos destes pontos serão discutidos e definidos na reunião do G7, sobretudo no que diz respeito aos países do Golfo, como os Emirados Árabes Unidos, a Arábia Saudita, o Catar, Omã e o Bahrein, alvo de tiros iranianos nos últimos três meses.
"Há uma grande cautela por parte desses países, de fato, porque eles fazem um balanço do que aconteceu. Eles constatam que foram alvo de maneira significativa - às vezes até mais do que Israel, no caso de países como os Emirados Árabes Unidos. E isso não é por acaso, já que os Emirados Árabes Unidos e o Bahrein participam da dinâmica dos Acordos de Abraão desde o primeiro mandato de Donald Trump", diz.
Por isso, segundo o pesquisador, as petromonarquias do Golfo aguardarm respostas dos Estados Unidos. "Todos esses países, de um jeito ou de outro, se viram alvo por abrigarem bases americanas que supostamente deveriam lhes garantir uma espécie de seguro multirriscos", destaca.
Rigoulet-Roze reconhece que muitos dos ataques foram barrados pelos sistemas antimísseis. "Mas o problema é que o modelo econômico de segurança associado a essas petromonarquias, especialmente modelos como o de Dubai, foi profundamente abalado. Assim, haverá uma reavaliação da situação em relação ao seu grande vizinho, que é o Irã", prevê.