Parlamento Europeu supera divisões e aprova de forma definitiva acordo comercial com Estados Unidos

O Parlamento Europeu aprovou definitivamente, nesta terça‑feira (16), o acordo comercial firmado no ano passado entre a União Europeia (UE) e o presidente americano, Donald Trump, numa tentativa de aliviar as relações transatlânticas após meses de tensão. O texto elimina tarifas aplicadas pelo bloco sobre a maior parte dos produtos industriais e agrícolas provenientes dos Estados Unidos.

16 jun 2026 - 10h49

Reunidos em Estrasburgo, no nordeste da França, os eurodeputados validaram o acordo por ampla maioria — 440 votos a favor, 151 contra e 50 abstenções. A decisão cumpre o engajamento assumido no encontro entre a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e Trump, no ano passado, em Turnberry, na Escócia, em troca do limite de 15% para as tarifas impostas pelo presidente americano às importações europeias no ano anterior.

Deputados durante votação no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, no nordeste da França, em 16 de junho de 2026.
Deputados durante votação no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, no nordeste da França, em 16 de junho de 2026.
Foto: AFP - JEAN-CHRISTOPHE VERHAEGEN / RFI

Os deputados, que consideravam o acordo negociado por Bruxelas excessivamente desequilibrado, superaram boa parte das divisões após garantir uma série de salvaguardas destinadas a proteger os interesses europeus diante de Donald Trump

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A reação não ocorreu por acaso: os parlamentares enfrentaram crises sucessivas com o presidente americano desde seu retorno à Casa Branca — da ameaça de anexar a Groenlândia às investidas contra normas digitais e ambientais da UE, passando por sanções ao ex-comissário Thierry Breton e tarifas punitivas sobre automóveis e aço.

Reforçar a posição europeia

Durante debate realizado na segunda-feira (15) em Estrasburgo, o vice-presidente da Comissão Europeia, Stéphane Séjourné, avaliou que o voto é "um passo importante" para o bloco. Segundo ele, a aprovação do compromisso "representa uma oportunidade de avançar e reforçar nossa posição em relação aos americanos".

No conteúdo do acordo fechado em maio entre os Estados-membros, os deputados europeus obtiveram a inclusão de uma cláusula que determina a expiração automática do tratado no fim de 2029 — após o término do mandato de Donald Trump — salvo se uma prorrogação for votada até lá.

A Comissão Europeia também se reserva ao direito de suspender o pacto tarifário caso Trump não elimine, até o fim do ano, as sobretaxas de 50% impostas a centenas de produtos que contenham aço e alumínio.

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No entanto, o acordo aprovado hoje não impede que Trump continue a usar a ameaça tarifária como instrumento de pressão contra a União Europeia. Antes de viajar ao encontro dos líderes do G7 em Evian, o presidente americano ameaçou o champanhe e outros vinhos franceses de novos impostos caso Paris não renuncie à taxação das grandes empresas de tecnologia americanas.

Direita e centro comemoram, esquerda protesta

As diferentes reações sobre a aprovação do acordo evidenciam as diferenças entre os parlamentares sobre a questão.   

O PPE, maior grupo de direita no Parlamento Europeu, votou a favor do compromisso, alegando a necessidade de preservar o gigantesco fluxo comercial entre a UE e Estados Unidos. "É uma escolha estratégica que vai reforçar nossa parceria transatlântica, proteger empregos e fortalecer nossas indústrias", celebrou a croata Zeljana Zovko, líder do PPE para as questões relacionadas ao comércio.

Karin Karlsbro, do grupo Renew (centro), afirmou estar "orgulhosa" de o Parlamento ter resistido às "manobras coercitivas de Trump". Para ela, o voto oferece "uma base de estabilidade diante do caos que Trump continua a semear".

Graças às salvaguardas negociadas, "não cederemos a qualquer chantagem, e se os Estados Unidos não respeitarem seus compromissos, teremos condições de reagir — e o faremos", defendeu o eurodeputado social‑democrata alemão Bernd Lange.

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As garantias obtidas, porém, não eliminaram todas as resistências, sobretudo à esquerda. "É uma verdadeira humilhação para a União Europeia. Mais uma vez, nos curvamos diante dos Estados Unidos", criticou Emma Fourreau, da bancada A Esquerda.

A extrema direita mostrou-se dividida: enquanto o grupo ECR (Conservadores e Reformistas) apoiou o texto, os Patriotas pela Europa denunciaram uma "capitulação".

Validação formal

Os 27 Estados‑membros — cuja aprovação também é necessária — já haviam endossado provisoriamente, no fim de maio, o compromisso alcançado com o Parlamento. Com o aval definitivo dos eurodeputados, resta apenas a validação formal dos governos nacionais para concluir a ratificação.

O calendário permite cumprir o ultimato fixado por Donald Trump, que deu aos europeus até 4 de julho, data das comemorações dos 250 anos dos Estados Unidos, para honrar seus compromissos.

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Com AFP

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