O Falcon 9, de dois estágios, equipado no topo com a cápsula Crew Dragon, foi lançado da base espacial de Cabo Canaveral, na costa atlântica da Flórida, às 5h15 no horário da Costa Leste dos EUA (7h15 em Brasília). Uma transmissão ao vivo da NASA e da SpaceX mostrou o veículo de 25 andares deixando a torre de lançamento e iluminando o céu com uma bola de fogo avermelhada pouco antes do amanhecer.
O voo deve durar 34 horas. Os quatro tripulantes têm chegada prevista para a tarde de sábado (14) à ISS, situada a aproximadamente 420 km acima da Terra. A missão, chamada Crew‑12, é a 12ª realizada pela NASA em direção à estação, em parceria com a SpaceX. A empresa fundada por Elon Musk em 2002 passou a enviar astronautas americanos ao espaço em maio de 2020.
A presença de Sophie Adenot ganhou destaque na imprensa francesa. Sua foto ilustra a capa de vários jornais nesta sexta-feira. A Crew‑12 marca a sua primeira missão espacial, após dois anos e dez meses de preparação. O Le Parisien descreve o voo como o coroamento de um "percurso brilhante" de uma mulher de 43 anos que realiza um sonho de infância.
O Libération lembra que Sophie Adenot é engenheira e ex‑piloto de testes de helicópteros. Ela se torna a segunda francesa a ir ao espaço, 25 anos depois de Claudie Haigneré. A missão terá duração de nove meses, com a realização de cerca de 200 experimentos científicos conduzidos por equipes europeias, americanas, russas e japonesas.
Presença de mulheres no espaço avança lentamente
Em entrevista ao Libération, Adenot encoraja crianças e jovens a acreditarem em seus sonhos. Segundo ela, "as maiores barreiras são as que nós mesmos criamos". A astronauta sublinha a importância de "ousar e tentar", e defende maior presença feminina no espaço. Para ela, a exploração espacial não tem gênero, e seu percurso só foi possível graças às pioneiras que abriram caminho.
O Le Monde destaca a persistente sub‑representação das mulheres no setor espacial. Dados citados pelo jornal indicam que, entre 644 astronautas no mundo, apenas 85 são mulheres. Para Claudie Haigneré, primeira astronauta francesa e atualmente conselheira especial da Agência Espacial Europeia, "estereótipos de gênero influenciam desde cedo as escolhas escolares das meninas, afastando‑as das áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática".
Haigneré reforça ainda a importância de modelos femininos visíveis na ciência e no espaço para inspirar novas gerações. Apesar de avanços recentes, a igualdade de gênero evolui lentamente no setor espacial, tanto na França quanto internacionalmente.
Comandante mulher
Como lembra o Le Figaro, Sophie Adenot não será a única mulher a bordo. Ela viaja ao lado da americana Jessica Meir, comandante da Crew‑12, além do astronauta Jack Hathaway, também da NASA, e do cosmonauta russo Andrey Fedyaev. Meir, de 48 anos, bióloga marinha e astronauta experiente, participa de sua segunda missão à ISS. Ela entrou para a história ao lado de Christina Koch ao realizar, há sete anos, a primeira caminhada espacial inteiramente feminina.
A Crew‑12 substituirá a Crew‑11, que retornou à Terra em janeiro, um mês antes do previsto, durante a primeira evacuação médica já conduzida na plataforma orbital. Os tripulantes da nova missão integram uma das últimas equipes a viver a bordo do laboratório científico do tamanho de um campo de futebol. Operada continuamente há 25 anos, a ISS deve ser desativada e direcionada a um reingresso controlado na atmosfera em 2030, caindo em uma área remota do Oceano Pacífico.