Adriana Moysés, da RFI em Paris
Com apoio da ApexBrasil, as empresas exibiram a diversidade da viticultura brasileira e comemoraram a boa acolhida de compradores e especialistas europeus. Criada em 2019, a Wine Paris se transformou em um encontro obrigatório do calendário mundial do vinho, que reuniu, no ano passado, mais de 5.400 expositores de 154 países. É essa dimensão, somada ao dinamismo comercial, que tem atraído cada vez mais vinícolas brasileiras.
Entre os produtores estreantes, a Salton disse estar impressionada com a magnitude do evento. O gerente de negócios internacionais da vinícola, com sede em Bento Gonçalves (RS), César Baldasso, reconheceu que a Wine Paris superou as expectativas.
"A gente está totalmente surpreendido. É uma feira de altíssima qualidade, com um movimento muito grande - e um movimento de qualidade. As reuniões foram excelentes, compradores realmente interessados no Brasil. Saímos daqui certos de que voltaremos no próximo ano", disse Baldasso.
Ele também destacou o papel crescente dos espumantes brasileiros no mercado internacional. "O espumante brasileiro é um grande diferencial, o melhor espumante do hemisfério sul - e, por que não, entre os melhores quando consideramos o Velho Mundo?"
Miolo reforça diversidade e aposta no futuro
Também gaúcha, a Miolo participou pela segunda vez da Wine Paris. Para Lúcio Motta, líder da área de exportação, o interesse dos compradores segue forte, especialmente pelos espumantes, mas não só. "O espumante é o interesse inicial, mas os tintos e brancos têm procuras similares. Os importadores ficam impressionados com a quantidade de uvas que produzimos e com nossa capacidade de trabalhar em diferentes níveis de preço", afirmou Motta.
Durante a feira, houve um debate sobre as consequências do Acordo Comercial Mercosul-União Europeia, que, ao derrubar as tarifas de importação para zero no caso dos vinhos, pode impactar a competitividade das bebidas nacionais. Atualmente exportando para seis países europeus - França, Itália, Alemanha, República Tcheca, Suécia e Malta -, além de outros mercados pelo mundo, o representante da Miolo encara o futuro com confiança.
"A preocupação existe, claro. Mas também vemos uma oportunidade. Quem ainda não exporta precisa começar a pensar nisso, porque o mercado brasileiro ficará mais competitivo. Vamos ter que buscar novos mercados e essa expansão já está no nosso horizonte há 30 anos", disse Motta.
Vinhos de Minas Gerais
A Serra da Mantiqueira esteve representada pela Casa Almeida Barreto, que participou pela primeira vez de uma feira internacional. Para Jorge Almeida, a expectativa foi superada.
"Muita gente está curiosa para explorar vinhos do Brasil. Trouxemos vinhos jovens, frescos, da safra 2024, sem passagem por barrica, para deixar a fruta falar mais. A altitude de 1.300 metros nos dá acidez alta e complexidade. A resposta tem sido muito positiva", apontou Almeida.
Na mesma região, a vinícola Barbara Heliodora iniciou sua produção há cerca de oito anos e chamou a atenção por ter conseguido desenvolver, em pouco tempo, vinhos complexos e longevos, segundo o sommelier Marcos Medeiros.
"A Mantiqueira produz vinhos elegantes e frutados, graças à amplitude térmica. As uvas que melhor se adaptaram foram a sauvignon blanc e a syrah. Desde 2018, fazemos de um rosé delicado a uma Grande Reserva com até 24 meses em carvalho. Os franceses estão adorando - é um vinho diferente, vindo de um país tropical", comentou o sommelier.
Do Vale do São Francisco à capital francesa
A pernambucana Verano Brasil mostrou na feira a singularidade da produção no Vale do Rio São Francisco, região do paralelo 8 onde é possível colher uvas o ano inteiro. O diretor comercial Evandro Giacobbo trouxe dois estilos nos rótulos apresentados.
"O primeiro, mais despojado, tropical, jovem e refrescante - pensado para encantar um público iniciante. E a linha Garziera, mais tradicional, com varietais de malbec, cabernet sauvignon e chardonnay. É a jovialidade do Vale do São Francisco chegando a Paris", celebrou.
A Wine Paris 2026 ocupou nove pavilhões no Parque de Exposições da Porte de Versailles. Entre seus corredores movimentados, os produtores brasileiros encontraram não apenas compradores interessados, mas uma verdadeira oportunidade de reposicionar a imagem do Brasil no cenário internacional como um país de diversidade vitivinícola.