Procuradoria de Paris abre investigação sobre incêndio na Suíça

A Procuradoria de Paris abriu, nesta segunda-feira (5), uma investigação sobre o incêndio ocorrido em Crans-Montana, na Suíça, na véspera de Ano Novo, com o objetivo de "apoiar as famílias francesas nas apurações conduzidas pelas autoridades suíças".

5 jan 2026 - 17h15

O Ministério das Relações Exteriores da França informou que nove cidadãos franceses morreram, incluindo vários menores de idade, e que outros 23 ficaram feridos.

"As autoridades suíças continuam responsáveis por investigar a sequência dos eventos e determinar eventuais responsabilidades", explicou a procuradora de Paris, Laure Beccuau, em comunicado à imprensa.

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Ainda assim, a unidade de "incidentes com múltiplas vítimas" da Procuradoria de Paris abriu um procedimento "para permitir que as vítimas francesas e suas famílias tenham um ponto de contato comum na França e para facilitar, se necessário, a comunicação com as autoridades suíças", acrescentou.

A Federação Francesa de Vítimas também foi mobilizada pela Procuradoria para oferecer apoio psicológico e jurídico às famílias, informou a procuradora. O incêndio no bar Le Constellation, na virada do ano, causou a morte de 40 pessoas, com idades entre 14 e 39 anos, metade delas menores de idade.

Homenagem

Entre as vítimas estavam 22 cidadãos suíços, um dos quais também possuía nacionalidade francesa, e 18 estrangeiros, segundo a polícia cantonal de Valais.

A tragédia deixou ainda 116 feridos - e não 119 conforme havia sido divulgado inicialmente -, dos quais 83 permanecem hospitalizados. Entre eles, estão 69 suíços, 23 franceses e 12 italianos, alguns com dupla nacionalidade.

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Segundo a investigação, o incêndio teria sido causado por velas incandescentes. As chamas se alastraram rapidamente, deixando os frequentadores do bar, em sua maioria adolescentes e jovens adultos, presos no interior do estabelecimento.

O bar pertence a dois cidadãos franceses, Jacques e Jessica Moretti, que são investigados desde sábado por "homicídio culposo, lesão corporal culposa e incêndio culposo".

Eles não foram colocados em prisão preventiva nem em prisão domiciliar, o que causou surpresa. Uma cerimônia em memória das vítimas está prevista para sexta-feira, na Suíça. O porta-voz do governo francês anunciou que o presidente Emmanuel Macron estará presente.

Vítimas identificadas

O longo processo de identificação de mortos e feridos do incêndio chegou ao fim, quatro dias após a tragédia. 

"Todas as vítimas feridas foram identificadas", anunciou a polícia cantonal de Valais. 

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"Esta tragédia poderia ter sido evitada" e "deveria ter sido evitada com prevenção e bom senso", declarou o embaixador italiano na Suíça, Gian Lorenzo Cornado, nesta segunda-feira (5). Ele estava presente no Aeroporto de Sion, no cantão de Valais, para a repatriação dos corpos de cinco dos seis adolescentes italianos que morreram.

Com AFP

A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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