Gina Marques, correspondente da RFI em Roma.
Em seguida, o pontífice celebrou a missa no altar central da Basílica. Durante a homilia o papa repetiu as palavras de Jesus citadas no Evangelho de Mateus. "Desde os dias de João Batista até agora, o reino dos céus é tomado à força, e os violentos o conquistam."
Leão XIV disse que estas palavras de Jesus, "inevitavelmente nos trazem numerosos conflitos aos quais os homens podem resistir e até mesmo atingir o Novo que Deus reserva para todos. Amar a paz e procurá-la significa proteger o que é santo e, por isso mesmo, nascente: pequeno, delicado, frágil como uma criança. À nossa volta, uma economia distorcida tenta tirar proveito de tudo. Vemos isso: o mercado transforma em negócios até mesmo a sede humana de procurar, viajar e recomeçar."
O pontífice também pediu para que os fiéis se interroguem sobre o Ano Santo.
"O jubileu nos ensinou a fugir desse tipo de eficiência que reduz tudo a um produto e o ser humano a um consumidor? Depois deste ano, seremos mais capazes de reconhecer um visitante como um peregrino, um estranho como alguém que busca respostas, uma pessoa distante como um vizinho, uma pessoa diferente como um companheiro de viagem?"
Segundo o papa, "o jubileu veio para nos lembrar que podemos recomeçar, aliás, que ainda estamos no começo, que o Senhor quer crescer entre nós, quer ser Deus conosco. Sim, Deus questiona a ordem vigente: Ele tem sonhos que ainda hoje inspiram seus profetas; está determinado a nos redimir de antigas e novas escravas; envolve jovens e idosos, pobres e ricos, homens e mulheres, santos e pecadores em suas obras de misericórdia, nas maravilhas de sua justiça. Ele não faz alarde, mas seu Reino já está brotando em todo o mundo."
Milhares de pessoas participaram da missa, e até o presidente da Itália Sergio Mattarella compareceu. Diversos cardeais também estavam presentes. Eles foram convocados por Leão XIV para o primeiro Consistório extraordinário do seu pontificado que acontece entre 7 e 8 de janeiro.
O encontro terá duração de dois dias e será marcado por momentos de reflexão. Esta reunião de cardeais tem a finalidade de promover uma reflexão, oferecer apoio e conselhos ao líder da Igreja Católica.
Angelus
Depois da cerimônia, o papa apareceu novamente no balcão central da Basílica de São Pedro ao meio-dia, de onde rezou o Angelus na Epifania que encerra o Ano Santo e abençoou os fiéis presentes na Praça. Leão XIV pediu a todos a se empenharem pela fraternidade e a harmonia entre os povos.
O papa concluiu dizendo que "a esperança que anunciamos deve ter os pés bem assentados na terra: ela vem do céu, mas para gerar uma nova história aqui em baixo".
"Nos presentes dos Magos vemos, então, o que cada um de nós pode pôr em comum, o que já não pode guardar para si, mas partilhar, para que Jesus cresça no meio de nós. Que o seu Reino cresça, que as suas palavras se realizem em nós, que os estrangeiros e os adversários se tornem irmãos e irmãs, que em vez das desigualdades haja equidade, que em vez da indústria da guerra se afirme o artesanato da paz. Como tecelões de esperança, caminhemos rumo ao futuro por outro caminho".
Números do Jubileu 2025
Mais de 33 milhões de fiéis, originários de 185 países, estiveram em Roma durante o jubileu. A maioria veio sobretudo a Europa. Segundo informou o Vaticano, 62% dos peregrinos vieram do Velho Continente, com a Itália em primeiro lugar em número de presenças, em segundo os Estados Unidos seguido pela Espanha. O Brasil, em quarto lugar, registrou aproximadamente 1,5 milhão de pessoas.
Realizado pela Igreja a cada 25 anos, o jubileu é um período de reflexão e penitência para os mais de 1,4 bilhão de católicos no mundo. Francisco, que morreu em abril aos 88 anos, havia aberto o Ano Santo em 24 de dezembro de 2024, ao bater na mesma porta de bronze antes de se recolher em oração em seu limiar e entrar na basílica.
Durante os anos de jubileu, os peregrinos que atravessam a Porta Santa — que permanece fechada no restante do tempo — podem receber a indulgência plenária, o perdão dos pecados segundo a tradição católica.
Este "Jubileu da Esperança" marca a história como o jubileu dos dois Papas, foi aberto pelo papa Francisco e encerrado por Leão XIV. Um precedente que só ocorreu no ano 1700.